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 A b e r t u r a O que diz o poder público local 

Simão Jatene (PSDB), governador eleito do Pará em novembro de 2002

Posição em relação a Belo Monte "Vou mostrar a importância desses projetos", referindo-se a Belo Monte e a pavimentação da Transamazônica e da Rodovia Cuiabá-Santarém, de acordo com reportagem publicada no jornal O Estado de S.Paulo em 29/10/2002. Jatene, secretário de Produção do atual governador, Almir Gabriel, considera essas obras vitais para o Estado e esquecidas no programa de Lula. Ele questiona os planos do novo presidente de reavaliar Belo Monte.


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José Augusto Affonso, ex-secretário especial de Infra-Estrutura do Governo do Estado do Pará em 2002
(entrevista concedida entre setembro e novembro de 2002)

Posição em relação a Belo Monte "Acredito que o Complexo Hidrelétrico Belo Monte é um investimento importante para ampliação da oferta, no país, de energia a baixo custo. O empreendimento pode vir a constituir-se em um investimento estruturante para a região uma vez que vai demandar serviços e mão-de-obra e atrair a instalação de empresas. O Governo Federal, através da Eletronorte, tem, para Belo Monte uma outra visão no que diz respeito aos investimentos energéticos. Trata-se da consciência da necessidade de alocação de recursos visando a Inserção Regional da obra. Esses recursos serão um percentual do investimento total a serem aplicados em Educação, Saúde, Capacitação Profissional, Capacitação Institucional, Incentivo à Atividade Produtiva, Segurança, Gestão Ambiental, entre outras áreas."

Plano de Inserção Regional e Plano de Desenvolvimento Sustentável "Já está pronto um Plano de Desenvolvimento Sustentável da área de influência de Belo Monte e um Plano de Inserção Regional. Esses planos foram elaborados pela Eletronorte em parceria com o Governo do Estado e com os municípios envolvidos, inclusive com representantes das associações locais, ao longo do último ano. Eles planos não serão executados apenas após as obras e sim antes, durante e depois. Têm um prazo de 20 anos para implementação. Além desses, há todas as recomendações dos Estudos de Impacto Ambiental, no momento paralisados por decisão judicial. Esses programas, projetos e ações terão várias fontes de financiamento: o próprio empreendedor, Programas do Avança Brasil, parcerias com os governos municipais e entidades privadas, ONGs, entre outros. A engenharia financeira ainda está em discussão."

Opiniões contrárias ao projeto "Acredito que a discussão é saudável, que a participação da sociedade é indispensável, mas que essa participação deve acontecer com base, inicialmente, na busca de informações detalhadas sobre o empreendimento e os procedimentos que estão sendo tomados para torná-lo fator de progresso social sem os problemas que, em décadas passadas, orientaram projetos da mesma natureza."

Mário Matias Lobo, prefeito de Uruará
(entrevista concedida entre setembro e novembro de 2002)

Posição em relação a Belo Monte "Sou a favor. O impacto ambiental é praticamente nulo perto dos benefícios e da quantidade de energia que será gerada. Nosso período chuvoso é diferente de outras regiões do país, o que permitirá a geração de energia durante épocas de seca. Em relação aos impactos, estamos discutindo com a Eletronorte um Plano de Desenvolvimento Sustentável, que será implementado de acordo com cada cidade. Por exemplo, existem cidades que estão muito próximas da área da barragem, como Altamira e Vitória do Xingu, onde vai haver uma grande concentração de população. Estima-se que cerca de 150 mil pessoas migrarão para áreas vizinhas à barragem. Já minha cidade, que fica a 250 quilômetros da barragem, não vai receber pessoas mas, sim, perder. Minha cidade foi formada por um projeto de colonização do Incra, portanto, tem uma economia basicamente agrícola, desenvolvida por pequenos produtores. A falta de assistência técnica, escola e infra-estrutura é o que levará as pessoas a sair da região."

Raimundo dos Santos, prefeito de Gurupá
(entrevista concedida em março/2003 )

 Posição em relação a Belo Monte. "No início estávamos a favor do projeto, mas depois de examinar os estudos da associação de prefeitos da região e do consórcio mudamos de posição. Esses projetos são feitos de cima para baixo, sem discussão com a população. Os projetos do governo federal não levam em conta as especificidades dos locais onde serão implementados ou só consideram a realidade dos municípios maiores. Para o nosso município não haverá impacto direto, como as enchentes. Mas existe o problema do grande número de pessoas que deve migrar para nossa região. Não temos infra-estrutura para receber esse contingente, principalmente no que diz respeito à parte de saúde. Nosso município tem 20 mil habitantes e apenas um hospital, que apesar de bem aparelhado, conta com apenas doze médicos para o atendimento de pacientes. Ainda assim, estamos participando dos debates sobre Belo Monte, para avaliar e discutir um sistema de barragens que não prejudique o meio ambiente e que não cause a expulsão das pessoas. Os prefeitos de Vitória do Xingu e de Altamira também estão fora do consórcio. Mas todos estamos participando das discussões."

Opiniões contrárias ao projeto. "A sociedade é contra, principalmente a Igreja e os movimentos sociais, e esperam um estudo melhor. Todos aqui já viram que as barragens em outros lugares trouxeram conseqüências negativas. Além disso, a luz que vai ser gerada não é destinada aos municípios, vai toda para fora. Acredito que com o novo Ministério de Energia haverá um estudo de viabilidade do projeto. Por enquanto, a realização da obra não é dada como certa aqui na região."

Pedro Theodoro de Rezende, prefeito de Pacajá
(entrevista concedida entre setembro e novembro de 2002)

Posição em relação a Belo Monte "A construção de Belo Monte é de grande importância para o Pará, a Transamazônica e todo o Brasil. A área inundada total será de 200Km2, muito menor que em Tucuruí. Índios e ribeirinhos não serão afetados por inundações. A Transamazônica foi aberta há 30 anos e desde então espera-se o desenvolvimento da região. A preocupação em Pacajá é com a população que pode vir da área da barragem para o município, atraída pela agropecuária. Ao mesmo tempo, a demanda por alimentos alavancaria a agropecuária da região, com a produção de frutas e verduras, carne bovina e suína. Outra preocupação é a preparação de mão-de-obra técnica para ser absorvida pela construção da barragem. Isso faz parte do plano de inserção que foi muito discutido em três reuniões em Pacajá entre a Eletronorte, o poder público e a população. Hoje há uma nova visão social e ambiental para o entorno da barragem e fora, que se traduz no Plano de Inserção Regional. Municípios e lideranças da região estão acompanhando de perto a licitação e concorrência. A empresa terá que assegurar os investimentos sociais para contrapor os impactos. A Eletronorte fará investimentos em educação e saneamento e pelo contrato da obra serão feitos investimentos na área social e em infra-estrutura. Assim, o meio rural vai fixar o homem nas pequenas propriedades. Algumas obras já estão sendo feitas, como hotéis e estabelecimentos da agroindústria."

Plano de Inserção Regional e Plano de Desenvolvimento Sustentável "O Plano de Inserção Regional faz parte dos custos da obra. É claro que o governo federal e a Eletronorte farão investimentos anteriores para evitar impactos iniciais. Do total investido em Belo Monte, 300 milhões serão destinados a 11 municípios durante 20 anos. A Eletronorte conta com consultores da Universidade de Brasília (UnB) para esses investimentos. Pacajá também receberá investimentos do plano de inserção de Tucuruí, que está em andamento. E uma nova barragem no Rio Tapajós terá novo plano de inserção, para beneficiar a região."

Opiniões contrárias ao projeto "Os movimentos sociais contrários a Belo Monte estão divididos em duas facções: os que ajudam a construir propostas para as questões de meio ambiente e questão social e os que são influenciados por ONGs internacionais, que querem impedir o desenvolvimento da Amazônia e do Brasil. Nós queremos preservar a região, sem impactos ambientais e com desenvolvimento."

João Scarparo, prefeito de Anapu
(entrevista concedida entre setembro e novembro de 2002)

Posição em relação a Belo Monte "Belo Monte vai ajudar muito a região. São cinco municípios com impacto direito e seis com impacto indireto, que receberão 10% dos 3 bilhões a serem investidos no projeto. Em Anapu, vai alagar uma pequena parte do município e o projeto tem 95% de apoio da população. A grande vantagem é o plano de inserção regional, que trará escolas, energia elétrica, mão-de-obra qualificada."
Opiniões contrárias ao projeto "Existe uma minoria contrária porque não tem conhecimento da realidade. Há sempre comentários quando se faz grandes obras. Mas a experiência em Tucuruí é um exemplo positivo: lá também tem um plano de inserção, que trouxe saúde e educação e deixou a população satisfeita."

Antônio Lorenzone, prefeito de Brasil Novo
(entrevista concedida entre setembro e novembro de 2002)

Posição em relação a Belo Monte "Nós estamos esperando Belo Monte com muita ansiedade. Com custo e alagamento pequeno, é a maior usina hidrelétrica brasileira. Nós sabemos que é desenvolvimento para a região e que teremos um fluxo de tudo, gente, serviços, mercadorias. Estamos cansados de sofrimento. Os malefícios seriam que parte do Rio Xingu teria água diminuída, prejudicando embarcações de ribeirinhos e diminuindo peixes numa extensão de 20 km. ONGs de fora dizem que prejudicaria os índios, mas eles estão a 60 km das barragens e não serão prejudicados. A área alagada é a mesma do período das enchentes: 400 km2. Já os benefícios são o asfaltamento daTransamazônica, a iluminação pública das áreas agrícolas do estado, que devem ser feitas antes da construção, assim como escolas, saúde e comunicação. Quem ganhar a licitação deverá destinar 300 milhões de dólares, durante 20 anos, sendo 8% imediatos para a infra-estrutura."

Opiniões contrárias ao projeto "Os movimentos contrários a Belo Monte vêm de fora: ONGs internacionais que não querem o desenvolvimento e organizações religiosas. Nossa conservação média é de 50%. A expectativa é avançar com a tecnologia, para não derrubar mais."

Nilso Cavalheiro Samuelson, prefeito de Medicilândia
(entrevista concedida entre setembro e novembro de 2002)

Posição em relação a Belo Monte "Belo Monte é muito importante para a região porque é uma construção de alto nível e trará progresso para a região que não tem estrutura nenhuma. Estou aqui há 16 anos e quando cheguei não tinha nem telefone e nem energia elétrica. A empresa que ganhar a concorrência vai estruturar os municípios que se avizinham. A questão ambiental já está resolvida. Eu vi a maquete lá."

Opiniões contrárias ao projeto "No meu município não existem movimentos contrários. Só tem em Altamira e é uma minoria. Se fosse feito um plebiscito, mostraria que todo mundo apóia Belo Monte."

Gerson Salvian Campos, prefeito de Porto de Moz
(entrevista concedida entre setembro e novembro de 2002)

Posição em relação a Belo Monte "Nós somos a favor de Belo Monte, diante do estudo de viabilidade econômica. Nós somos favoráveis porque o impacto ambiental é o menor do mundo e os estudos indicam que a construção da barragem vai melhorar a economia do estado do Pará e dos municípios da região. Também vai ter recursos para investimento na área social, e infra-estrutura. Além dos 'royalties', estamos propondo que seja devolvido 100% do ICMS arrecadado dos municípios para aplicação em infra-estrutura, educação, saúde e agropecuária."

Plano de Inserção Regional e Plano de Desenvolvimento Sustentável "Acompanhamos todo o processo de eleaboração do projeto e continuamos participando. O importante é que está tendo acompanhamento do poder público e da comunidade. As propostas feitas permitem a sustentabilidade do desenvolvimento da região."

Opiniões contrárias à usina "Alguns pequenos grupos ambientalistas são contra, porque são contra o desenvolvimento do Brasil."


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