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| Escola indígena Kaxinawá,
no Acre |
O novo governo alça vôo em direção
à educação indígena tendo
que enfrentar pesadas nuvens pela frente. Uma intempérie
já é familiar: os cortes orçamentários
que paralisam o repasse de verbas. Como se não
bastasse, a Secretaria de Ensino Fundamental (SEF)
ainda não conseguiu confirmar sinais favoráveis
à renovação do convênio entre
o Ministério da Educação (MEC)
e o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD).
Desses recursos dependem a montagem de uma equipe de
trabalho no ministério e a contratação
de consultorias especializadas para as práticas
escolares indígenas nas aldeias.
Quanto à Coordenação Geral de
Apoio às Escolas Indígenas (CGAEI),
vinculada à SEF, seu vôo inaugural foi
alçado no encontro
entre representantes das Secretarias Estaduais de Educação,
professores e lideranças indígenas, e
sociedade civil, com a presença inédita
do Ministério Público (MP). Frente aos
depoimentos desanimadores de professores e lideranças
indígenas de várias regiões, o
MP instituiu audiências públicas no Amazonas,
no Pará, na Bahia, no Ceará e em Tocantins,
onde ocorreu uma audiência pública extraordinária
no dia 14/04.
De acordo com Kleber Matos, coordenador
da CGAEI, a atuação do Ministério
Público criando esses mecanismos de consulta
poderá forçar estados e municípios
a firmarem Termos de Ajustamento de Conduta para cumprirem
as obrigações previstas em lei.
Fora isso, para desanuviar o horizonte, a CGAEI tem
uma estratégia simples: consultar e informar.
A intenção é divulgar para escolas
indígenas e seus professores informações
sobre os recursos do Fundo de Manutenção
e de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização
do Magistério (Fundef),
que são repassados aos estados, e consultar as
várias fontes de acesso a financiamentos, que
já existem dentro do próprio MEC e, que
podem beneficiar a educação indígena.
É o caso do programa Diversidade
na Universidade, da Secretaria de Ensino Médio
e Tecnológico (Semtec), que em diversos estados
poderá acolher os programas de formação
de professores, ou ainda o Projeto
Alvorada, da mesma Semtec, que dispõe de
R$ 400 milhões para fortalecer o ensino médio
por meio da formação de professores e
elaboração de material didático.
Essas possibilidades vêm como surpresa para
a histórica falta de recursos da CGAEI e para
a dependência dos convênios MEC/Pnud.
O que permanece lamentável, porém, é
o fato da Coordenação estar totalmente
desmobilizada para participar da divisão do bolo
do Plano Plurianual (PPA).
É preciso saber como viabilizar burocraticamente
o acesso e a execução desses recursos,
tomando como referência o fracasso dos benefícios
do Fundef às escolas indígenas, o que
serve como indicador de que o problema reside na vontade
política e não da falta de dinheiro.
Recomendações e prioridades
Na Reunião Extraordinária sobre Educação
Escolar Indígena realizada pelo MEC em março,
o ISA apresentou algumas recomendações
para o aprimoramento da educação indígena
no Brasil e para a melhoria da relação
do Estado com os índios nessa área. As
prioridades apontadas insistem em medidas já
defendidas: a formação inicial e continuada
dos professores indígenas, que inclui a realização
de cursos e o acompanhamento pedagógico às
escolas das aldeias; a produção de materiais
didáticos específicos; e a formação
política de professores e lideranças indígenas
para que possam cobrar a responsabilidade dos órgãos
governamentais e realizar o gerenciamento da educação
escolar.
Diante de um panorama em que iniciativas bem sucedidas
na formação de professores e na criação
de material didático específico são
realizadas por ONGs, com apoio da cooperação
internacional, a proposta do ISA é chamar o Estado
Brasileiro à sua obrigação legal,
apontando a necessidade de maior participação
institucional e financeira dos governos estaduais no
fomento aos programas de educação indígena.
Para tanto, sugere a criação de Coordenações
Regionais de Educação Indígenas,
multi-institucionais, constituídas paritariamente
por governo e sociedade civil (leia-se também
aí as instâncias indígenas de representação),
cabendo à CGAEI do MEC coordenar um grupo executivo,
composto por representantes governamentais e indígenas,
que duas vezes ao ano dariam subsídios administrativo
e político às coordenações
regionais.
Os números da educação
indígena
Hoje, no Brasil, a educação
indígena responde por 1.392 escolas, 93
mil alunos e 3.059 professores indígenas,
além de outros 939 professores não-índios.
Desse total, apenas 1,5% dos professores indígenas
possuem ensino superior completo e 17,6% possuem
o ensino médio com magistério completo.
Em relação aos alunos, 81% estão
no ensino fundamental, sendo que 82% deles estão
cursando de 1ª. à 4ª. série. |
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