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| Lançamento da Frente Parlamentar
em Defesa dos Povos Indígenas no Congresso Nacional |
Durante o primeiro semestre de 2003, algumas
iniciativas positivas para os povos indígenas surgiram dentro
do Congresso Nacional. A criação da Frente
Parlamentar em Defesa dos Povos Indígenas foi uma delas.
Desenvolvendo ações dentro e fora do Congresso, a Frente promoveu
na Comissão de Meio Ambiente e Minorias audiência
pública para discutir os rumos da política indigenista.
Encaminhou carta à Casa Civil solicitando esclarecimentos
sobre a apreciação
pelo Conselho de Defesa Nacional das homologações de Terras
Indígenas, defendendo as demarcações ainda pendentes,
como a Raposa/Serra do Sol, em Roraima. E priorizou temas
polêmicos como a Proposta
de Emenda à Constituição (PEC) 38/99, que pretende restringir
os direitos territoriais indígenas e a criação de novas Unidades
de Conservação, apoiando entidades da sociedade
civil na campanha lançada em maio contra a proposta.
Com uma coordenação formada basicamente por parlamentares
de primeira legislatura, a Frente mostrou dinamismo e vontade
de inserção em temas pouco absorvidos pelos congressistas
até então, como o desenvolvimento econômico dos povos indígenas
e a criação de novos projetos voltados para a promoção da
sustentabilidade nas aldeias. No próximo semestre, trará de
volta à Câmara o Estatuto
do Índio. A iniciativa da deputada Janete Capiberibe (PSB/AP)
atende a reivindicação antiga do movimento indígena e promete
mais audiências públicas e seminários para a discussão da
matéria após o recesso parlamentar.
Ainda na Câmara, fortaleceu-se o Núcleo de Defesa
do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias como fórum de discussão
da Comissão que leva o mesmo nome. Coordenado pelo deputado
João Alfredo (PT/CE), o Núcleo promoveu reuniões quinzenais
para discutir a pauta da Comissão com os parlamentares, as
entidades da sociedade civil e o Ministério do Meio Ambiente.
Deputados do Núcleo empenharam-se na aprovação do Projeto
de Lei da Mata Atlântica e dirigindo ao presidente da
Câmara, João Paulo Cunha, uma moção assinada por 50
parlamentares pedindo o andamento do projeto. Apesar do empenho
do núcleo e da Rede de ONGs da Mata Atlântica, que realizou
um ato em Brasília no Dia da Mata Atlântica (27/5), e do caderno
Meio Ambiente e Qualidade de Vida, parte do programa
de governo do PT , ressaltar que “uma das prioridades do governo
Lula nessa área será contribuir para a mais rápida aprovação
do PL da Mata Atlântica, que tramita na Câmara dos Deputados
há cerca de dez anos”, o projeto ainda não foi aprovado.
Apesar do empenho do Núcleo e do ato promovido pela
Rede
de ONGs da Mata Atlântica em Brasília no
início de maio, o projeto ainda não foi aprovado.
Isso apesar do caderno Meio Ambiente e Qualidade de Vida,
parte do programa de governo do PT , ressaltar que “uma
das prioridades do governo Lula nessa área será
contribuir para a mais rápida aprovação
do PL da Mata Atlântica, que tramita na Câmara
dos Deputados há cerca de dez anos".
O PL voltou a ser tema de discussão na Câmara dos Deputados
durante a reunião que precedeu as comemorações ao Dia do Meio
Ambiente (5/6), quando a ministra Marina Silva entregou ao
presidente da Câmara uma lista
de projetos prioritários para serem votados no Congresso Nacional.
Além do Projeto de Lei da Mata Atlântica, integram a relação
o Projeto de Lei 351/02, que cria uma reserva do Fundo de
Participação dos Estados para a promoção do desenvolvimento
sustentável e proporciona uma compensação aos estados que
abrigarem em seus territórios Unidades de Conservação
e Terras Indígenas demarcadas; e o PL 4842/98, que dispõe
sobre o acesso aos recursos genéticos. O Fórum Brasileiro
de Organizações Não-Governamentais para o Meio Ambiente e
Desenvolvimento também entregou sua lista de projetos prioritários,
cuja única diferença em relação à do Ministério do Meio Ambiente
é a inclusão de um apelo à não-aprovação da PEC 38/99.
No mesmo evento, foi lançada a Frente Parlamentar Mista para
o Desenvolvimento Sustentável e Apoio às Agendas 21 Locais,
à qual aderiram 93 deputados e 23 senadores. Seu principal
objetivo será impulsionar o cumprimento da Agenda
21, um dos compromissos assumidos pelo Brasil durante
a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a Rio
92. A Frente pretende se estabelecer como uma ONG, para firmar
convênios de financiamento de seu trabalho, fato inédito no
Congresso Nacional.
Já no Senado, parlamentares preocupados com o desrespeito
sistemático dos direitos indígenas encaminharam ao Presidente
da República em maio um texto
assinado por 23 senadores do bloco de apoio ao governo.
A carta recomendava que as questões indígenas fossem tratadas
com mais cautela, ressaltando o número de homicídios e de
desaparecidos entre os indígenas nos cinco primeiros meses
do ano – que superou o total de casos ocorridos durante todo
o ano de 2002 – e o perigo da aprovação da PEC 38/99 pelo
Senado Federal. Os senadores alertavam ainda sobre a repercussão
negativa no exterior da proposta - uma das denúncias
apresentadas representantes indígenas brasileiros durante
a Segunda
Sessão do Fórum Permanente sobre Questões
Indígenas da ONU - e pediam que Lula seguisse o
compromisso proferido em seu discurso de posse, quando citou
a "defesa das populações indígenas e minorias" como uma das
prioridades do novo governo. Numa iniciativa sem precedentes
históricos, a carta dos senadores ao presidente foi uma sinalização
positiva pela manutenção dos direitos indígenas garantidos
na Constituição de 1988.
A bancada ruralista, no intuito de impedir a demarcação de
novas terras indígenas e interferir nos processos de homologação
pendentes, criou, em junho, a Frente em Defesa da Demarcação
Democrática. Esta pretende polemizar ainda mais os conflitos
relativos à demarcação de terras. Fundamenta-se na PEC 579/02,
de autoria do deputado Ricarte de Freitas (PTB/MT), que propõe
a alteração do artigo 231 da Constituição, submetendo a demarcação
das terras indígenas à aprovação do Congresso Nacional. Os
parlamentares ruralistas alegam a necessidade de aumentar
a produtividade dos estados (aumentando, obviamente, o desmatamento),
e valem-se do antigo argumento de que “há muita terra para
pouco índio”. Tudo sinaliza que junto com a PEC 579/02 devem
ser retomadas as discussões sobre o Código Florestal. Resta
o fato de que ficou mais fácil identificar os parlamentares
com interesses antiindígenas no Congresso Nacional.
Além da pauta priorizada pelas diversas frentes parlamentares,
o Legislativo aprovou duas leis relacionadas à temática socioambiental:
a Lei
de Acesso à Informação Ambiental, que dispõe sobre o acesso
público aos dados e informações ambientais existentes nos
órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional do Meio
Ambiente (Sisnama); e a controversa MP
113, que estabelece normas para a comercialização da safra
de soja 2003 contaminada por transgênicos.. |
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