O ISA analisa as alterações no uso e ocupação do solo nas áreas de mananciais da RMSP desde 1996, em especial com a Billings e Guarapiranga. Em função desta experiência, produziu uma simulação preliminar sobre as tendências de crescimento da mancha urbana nestas áreas.
A área de abrangência da simulação compreende as bacias hidrográficas da Billings e Guarapiranga e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Capivari Monos, que é a porção da RMSP a ser cortada pelo trecho sul do Rodoanel.
O período de análise compreende os seguintes intervalos: de 1989 a 1999 (dados obtidos a partir de interpretação de imagem de satélite); de 1999 a 2010 (projeção); e 2010 a 2020 (projeção).
A simulação partiu das seguintes hipóteses:
1. Concretização dos cenários de expansão urbana, com ou sem Rodoanel, conforme apontado no documento "Avaliação Ambiental Estratégica - Rodoanel Mário Covas", produzido pela secretaria estadual de transportes, em especial:
2. Acréscimo de seis mil hectares de área urbana até 2020;
Crescimento populacional de aproximadamente 700 mil habitantes até 2020;
3. Indução à ocupação acontecerá no entorno dos acessos ao Rodoanel;
4. Valorização do preço da terra no entorno da Rodovia;
5. Valorização de terrenos e crescente especulação imobiliária voltada para usos comerciais e residenciais, em detrimento do setor de logística, conforme dados divulgados pela imprensa sobre os processos em andamento ao longo do trecho oeste.
Para a construção dos cenários de expansão urbana foi adotada a seguinte metodologia:
1. Avaliação da evolução da ocupação urbana, obtida a partir de interpretação de uso do solo de imagens de satélite, no intervalo de 1989 a 1999. As informações utilizadas foram produzidas pelo ISA no âmbito das projetos Diagnóstico Socioambiental Participativo da Billlings (publicado em 2002) e Diagnóstico Guarapiranga (em andamento);
2. Identificação de padrões e eixos viários de crescimento entre 1989 e 1999;
Utilizando o software Arcview, foram produzidos "buffers" nas áreas com ocupação urbana em 1999 para obtenção da mancha urbana de 2010. Sobre esta mancha foi aplicado novo "buffer" para obter a mancha em 2020. A distância adotada para os "buffers" foi de 50 metros nas áreas urbanas pré-existentes e de 100 metros no entorno dos principais acessos viários, incluindo as interligações previstas e potenciais do Rodoanel na região.
No sentido de apontar os impactos das alterações sobre as represas, foram considerados: índices de qualidade utilizados pela Cetesb (IQA, IVA); aumento da poluição por esgotos; assoreamento das represas em função da terra perdida com o estabelecimento de novas ocupações (desmatamentos e exposição do solo às intempéries); redução da capacidade de reservação de água nas represas, em função do assoreamento e do aumento da impermeabilização do solo; aumento do consumo de água ao longo do tempo; aumento do risco à saúde da população em função das ineficiências dos sistemas de tratamento frente à quantidade e diversidade de poluentes nas represas. A análise conjunta destes fatores resulta numa graduação sobre a "saúde das represas", que varia de bom a péssimo.
A análise dos cenários permitiu as seguintes conclusões:
O Rodoanel terá papel de catalisador de processos de expulsão de população de baixa renda para áreas mais distantes e sem infraestrutura;
A construção de novos acessos precisa ser dimensionada e avaliada no âmbito metropolitano, a medida que não existe qualquer regulamentação para proibir a construção de novos acessos além dos previstos em projeto (são quatro no trecho sul, com outros três potenciais)
Os processos em andamento no trecho Oeste precisam ser incoporados às simulações e modelagens para dimensionar os impactos do Rodoanel no âmbito metropolitano;
Esta simulação é preliminar e deverá sofrer alterações. Sua divulgação, no entanto, foi feita na primeira Audiência Pública da alça sul do empreendimento, no sentido de alertar as autoridades responsáveis sobre a necessidade de se criar mecanismos para reverter o processo de ocupação destas áreas, e sobre a participação do Rodoanel no agravamento deste cenários.