O que dizem os movimentos sociais e associações do Vale do Ribeira

A opinião de movimentos sociais, sindicatos de trabalhadores, organizações não-governamentais, religiosas, entre outras, tem o papel fundamental de divulgar junto à opinião pública local, regional e nacional o que significa construir barragens no rio Ribeira de Iaguape. Confira abaixo algumas dessas opiniões.  

 "A autorização para a construção da usina hidrelétrica de Tijuco Alto, no rio Ribeira, é um gravíssimo erro administrativo, político e desenvolvimentista. Já desalojou e continuará desalojando centenas de famílias de pequenos produtores da agricultura familiar do Vale do Ribeira e contribuirá para aumentar ainda mais a pobreza na região em troca de favorecimentos e enriquecimentos de quem já tem excedentes de capital, como a CBA - Companhia Brasileira de Alumínio - do sr. Antonio Ermírio de Moraes. Esta usina não atende às propostas de Agenda 21 Regional, muito menos de desenvolvimento sustentável para o Vale do Ribeira. É um verdadeiro desastre econômico e socioambiental. Temos que barrá-la na origem, antes que a barragem nos barre o crescimento e a vida."

Laura Jesus de Moura e Costa - Coordenadora geral do Centro de Estudos, Defesa e Educação Ambiental (Cedea), integrante do Conselho Municipal de Meio Ambiente da cidade de Cerro Azul, e dos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Paraná.

 

"O Movimento dos Ameaçados por Barragens se posiciona contra o projeto de construção de barragens no Rio Ribeira e contra o modelo excludente de produção e consumo de energia elétrica aplicado no Brasil. As construções das grandes barragens beneficiam os grandes grupos financeiros, empreiteiras, construtoras, empresas de equipamento, etc. Enquanto isso, milhares de pessoas são expulsas à força de suas propriedades e atividades, perdem suas terras mais férteis e produtivas e florestas são destruídas. Povos indigenas, quilombolas e ribeirinhos perdem suas terras, tradições e têm seus monumentos culturais desrespeitados. No Vale do Ribeira não vai ser diferente.

Por isso o MOAB luta por um desenvolvimento sustentável para a região, incentiva a busca por alternativas de geração e distribuição de energia que modifiquem a real matriz energética brasileira, o que somente será possível através de uma real democratização da política energética e de seu compromisso com um projeto de uma sociedade socialmente justa e ecologicamente responsável. O nosso grito é por TERRA SIM! BARRAGEM NÃO!".

Antônio Carlos Nicomedis - Movimento dos Ameaçados por Barragens do Vale do Ribeira.

 

 "A gente tem medo da construção da barragem porque pode desencadear vários projetos que estão previstos no Vale do Ribeira. Então, quando vemos alguma coisa que vai colocar em risco nossos quilombos, a gente fica com o pé atrás e não aceita. Nem aceita negociação, quando se trata de colocar em risco a nossa terra e a nossa cultura, porque temos muito valor. É por isso que estamos nesse movimento, engajando cada vez mais, pra que possamos dar um basta nesse projeto e ficar livre, porque esse projeto já vem nos incomodando há bastante tempo. Queremos que seja tomada uma decisão definitiva contra."

José da Guia Rodrigues Mourato - Presidente da Associação Quilombo de São Pedro.

 

"Essa barragem é pra nós um grande crime, isso é uma coisa que não devia acontecer, simplismente nós estamos correndo este risco, e lutando há mais de vinte anos contra essa barragem. Nosso objetivo é impedir esta barragem, porque se ela acontecer, muitas comunidades quilombolas vão desaparecer porque, se fizer essa primeira barragem lá, pode fazer as outras, afinal são quatro projetos. Fazendo as quatro, todas as comunidades vão desaparecer e, no nosso ponto de entender, vai violar um patrimonio brasileiro que são os quilombos. Também não vai ser respeitada a Constituição Federal, os artigos 215, 216 e 168, que garantem nossos direitos. O Quarto poder não pode passar por cima deles, e os governos, tanto o federal, o estadual como o municipal não estão fazendo nada para que isso não aconteça. E continuaremos na luta por causa disso."

Benedito Alves da Silva - Da Equipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras (EAACONE).

 

"Considero a barragem um absurdo porque é voltada para produzir energia para a CBA exportar aluminio. O povo do Vale do Ribeira vai ficar com os prejuízos sociais enquanto uma empresa privada vai lucrar e depois não tem nem divisão de renda nem nada. Qual é a participação do povo no lucro dessa empresa? Então o povo paga o preço para que outros enriqueçam? Não é justo! Mesmo porque o Vale do Ribeira tem preservação ambiental, o povo tradicional é acostumado a conviver em harmonia com o meio ambiente, não é justo que alguém de fora em nome de um desenvolvimento destrua toda uma região."

Maria Sueli Berlanga - Congregação das Irmãs Jesus Bom Pastor - Pastorinhas.

 

"Temos que nos unir para impedir que o rio Ribeira, um patrimônio de todos nós, de múltiplos usos, seja apropriado pela iniciativa privada para um uso exclusivo: gerar energia para uma fábrica de alumínio. É nosso dever trabalhar para que o Vale do Ribeira ganha um modelo de desenvolvimento sustentável e que promova a inclusão social".

José Rodrigues - Associação Quilombo de Ivaporunduva