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A ocupação
urbana do Brasil, como se sabe, é bastante desordenada.
Uma das mais graves consequências desse problema é
a destruição da Mata Atlântica, bioma
que concentra a maior parte da população brasileira,
cerca de 120 milhões de pessoas, hoje reduzido a cerca
de 7% da sua área original. O Código Florestal,
ao lado do Estatuto da Cidade, é o instrumento que,
ao menos, minimiza esse processo. É ele que impede
o avanço da fronteira urbana em restingas, encostas,
brejos e falésias, lagunas, manguezais, margens de
rios, entre outros locais definidos como áreas de preservação
permanente devido à importância que possuem para
a integridade de processos ecológicos e para o bem-estar
humano. A proteção dessas áreas, entretanto,
está em risco.
Para estimular a construção civil no país,
o Congresso Nacional aprovou no início de julho um
projeto de lei com novas regras para o mercado imobiliário,
que ainda deve ser sancionada pelo presidente Lula. Na surdina,
o relator do projeto, o deputado Ricardo Izar (PTB/SP) - Coordenador
da Frente Parlamentar de Habitação e Desenvolvimento
Urbano - inseriu nele um artigo que invalida a aplicação
do Código Florestal em áreas urbanas e de expansão
urbana. E quem define quais são as áreas de
expansão urbana? O poder público local, na maior
parte das vezes interessado em ampliar o desenvolvimento de
seu município, principalmente para arrecadar mais tributos,
e, portanto, disposto a incluir em seu perímetro urbano
áreas hoje sob a proteção do Código
Florestal.
A proposta afeta especialmente a Mata Atlântica e a
Zona Costeira, onde a especulação imobiliária
já é uma das principais ameaças e poderá
comprometer as áreas importantes para a conservação
do solo e de recursos hídricos, agravando situações
já recorrentes nas principais metrópoles brasileiras,
como a poluição dos recursos hídricos,
a incidência de enchentes e o abastecimento de água
em locais já comprometidos como a Região Metropolitana
de São Paulo (RMSP).
Atualmente, somente 10% dos municípios possuem órgão
ambiental com alguma estrutura para proceder ao controle e
à fiscalização ambiental. A Pesquisa
de Informações Básicas Municipais realizada
em 2001 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) aponta que apenas 22,2 % dos 5.560 municípios
brasileiros contam com Conselhos Municipais de Meio Ambiente.
Ou seja, o controle público e social da gestão
ambiental dos municípios ainda é bastante frágil
no país.
Para evitar o que seria um dos maiores retrocessos à
gestão ambiental urbana do país, 161 organizações
da sociedade civil, lançaram uma campanha virtual no
dia 23 de julho intitulada Diga Não à anulação
do Código Florestal em áreas urbanas. Apenas
pelo site do ISA, foram 4.190 adesões até 2
de agosto. A carta enviada pelos internautas, pedia ao presidente
Lula que vetasse o artigo 64 contido no Projeto de Lei 2109/99
(Câmara) e 47 (Senado), que invalidava o Código
Florestal em áreas urbanas e de expansão urbana.
No dia 2 de agosto, à noite, Lula vetou o artigo e
a sociedade civil pôde comemorar a vitória.
Clique aqui para enviar uma
carta agradecendo a decisão do presidente.
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