Instituto Socioambiental - www.socioambiental.org
Melhores Momentos  i m p r i m i r imprimir    f e c h a r

O Instituto Socioambiental (ISA) é uma associação civil, sem fins lucrativos, qualificada
como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), fundada em 22 de
abril de 1994, por pessoas com formação e experiência marcante na luta por direitos
sociais e ambientais.

Com sede em São Paulo e subsedes em Brasília (DF) e São Gabriel da Cachoeira (AM),
além de bases locais para a implantação de projetos demonstrativos, o ISA tem como
objetivo defender bens e direitos sociais, coletivos e difusos, relativos ao meio ambiente,
ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos. O ISA produz estudos e
pesquisas, implanta projetos e programas que promovam a sustentabilidade socioambiental,
valorizando a diversidade cultural e biológica do país.

Para saber mais sobre o ISA consulte www.socioambiental.org

Conselho Diretor: Neide Esterci (presidente), Enrique Svirsky (vice-presidente), Beto Ricardo,
Carlos Marés, Márcio Santilli, Nilto Tatto, Sérgio Mauro [Sema] Santos Filho

Secretário geral: Nilto Tatto
Coordenadores: Alicia Rolla, André Villas-Bôas, Angela Galvão, Beto Ricardo, Carlos Macedo,
Fany Ricardo, Márcio Santilli, Maria Inês Zanchetta, Marina Kahn, Marussia Whately e Rodolfo
Marincek

São Paulo
Av. Higienópolis, 901
01238-001 São Paulo
SP - Brasil
tel: 0 xx 11 3660-7949
fax: 0 xx 11 3660-7941
isa@socioambiental.org
Brasília
SCLN 210, bloco C, sala 112
70862-530 Brasília
DF - Brasil
tel: 0 xx 61 349-5114
fax: 0 xx 61 274-7608
isadf@socioambiental.org
S. Gabriel da Cachoeira
Rua Projetada, 70 - Centro - Caixa Postal 21
69750-000 São Gabriel da Cachoeira
AM - Brasil
tel: 0 xx 97 471-2182/1156/2193
fax: 0 xx 97 471-1156
isarionegro@uol.com.br
Riozinho do Anfrísio, foto Pedro Martinelli

Durante um sobrevôo para registro fotográfico da Terra do Meio (médio Xingu, no Pará), o fotógrafo Pedro Martinelli acompanhado de André Villas-Bôas, coordenador do Programa Xingu, flagrou uma das voadeiras que levava uma das equipes do ISA. A foto mostra o riozinho do Anfrísio, um afluente do rio Iriri, que, por sua vez, é afluente do rio Xingu.
Nessa região isolada da floresta amazônica, as equipes do ISA faziam um levantamento da ocupação humana de seringueiros e castanheiros. Havia mais e 15 dias de expedição e não se tinha notícias das equipes. Imediatamente, ao ver a voadeira, André arrumou dois pequenos pacotes com mantimentos e arremessou-os.
Enquanto isso, os tripulantes olhavam desconfiados para o avião que sobrevoava a área, pensando inicialmente que se tratava de algum madeireiro. Ao ver os volumes caindo na margem do rio, o filho de um morador foi buscar os pacotes. Finalmente, depois de muito hesitar, com muita apreensão, abriram-se os pacotes. “ Parabéns.... dêem notícias”, assim dizia um bilhete do André felicitando o antropólogo Klinton que fazia aniversário e pedindo notícias à sua equipe.


Apresentação

O ano de 2002 foi muito rico do ponto de vista político para o Brasil. As eleições gerais realizadas em outubro para a Presidência da República, a renovação da Câmara dos Deputados e de dois terços do Senado Federal, dos governos dos estados e do Distrito Federal e a renovação das Assembléias Legislativas e da Câmara Distrital, marcaram o debate político. Como já é tradição no Brasil, as questões socioambientais foram subdimensionadas nos programas dos candidatos. Para enfrentar isso, o ISA formulou e publicou textos fazendo propostas, discutindo prioridades com candidatos de vários partidos e afirmando posições sobre as questões socioambientais.
Como organização brasileira, o ISA está motivado para tornar efetivos seus mais ousados projetos socioambientais e com esse objetivo, apresentou, no final de 2001, uma pauta socioambiental ao então candidato, hoje, presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Publicada e enriquecida com outras sugestões, a pauta subsidiou a formulação de programas de diferentes candidaturas e agora orienta a interlocução do ISA com o novo governo. Mas, o ISA espera poder ir além, fomentando a implementação de políticas públicas que integrem as vertentes sociais e ambientais em um conceito homogêneo.
Do ponto de vista institucional, o ISA deu início ao terceiro Plano Trienal e está em curso a implementação dos resultados de uma Avaliação Institucional que, entre outros itens, definiu a nova Política de Recursos Humanos e o novo Plano de

Cargos e Salários. Daí resultaram modificações em programas da instituição.
Foram integrados os programas Brasil Socioambiental, Direito Socioambiental e o Tema Biodiversidade em um único programa – Política e Direito Socioambiental. Monitoramento de Áreas Protegidas, tornou-se um programa independente e continuará pesquisando e produzindo informações para influenciar propositivamente as políticas públicas e as ações do Estado voltadas para a defesa dos direitos coletivos e para a proteção e conservação do patrimônio cultural e ambiental do país. O Programa Mata Atlântica foi desmembrado em dois: Vale do Ribeira e Proteção aos Mananciais de São Paulo.
O ISA encerrou sua participação no Projeto Kaben Djuoi, do povo Xikrin, repassando as atividades para seu parceiro local, a Associação Indígena Bep-Nói de Defesa do Povo Xikrin. Por fazer a interface entre o trabalho do ISA, o apoio aos programas regionais e locais, e os parceiros com os quais trabalha, tornando-se, assim, atividade estratégica, o Projeto Especial de Capacitação e Gestão dos Parceiros Locais, de formação e assessoria às organizações indígenas parceiras, passou a ser permanente.
A seguir, destacamos momentos das atividades promovidas pelo ISA em 2002, no âmbito de cada um de seus programas e projetos. Os itens selecionados estão detalhados no Relatório de Atividades 2002, disponível no site (www.socioambiental.org).

Fortalecimento institucional
e sustentabilidade
do ISA - 3
Monitoramento e proposição
de alternativas às
políticas públicas - 10
Defesa dos direitos
socioambientais coletivos - 6
Pesquisa, documentação
e difusão de informações
socioambientais - 12
Desenvolvimento de modelos
participativos de sustentabilidade
socioambiental - 8
Fortalecimento institucional
dos parceiros locais - 14

Fortalecimento institucional
e sustentabilidade do ISA


Jornal da Tarde, 30/04, pg. 24 A

OESP, 04/10, pg. H-3


Os números do ISA na mídia

• Em 2002, foram veiculados 202 informativos, entre notícias e reportagens, excluídos os especiais como Índios e Militares, Eleições 2002 e Transição FHC/Lula.
O total de notícias veiculadas por editoria conforme a classificação atual no site foi:
– Brasil: 110
– Direitos Socioambientais: 12
– Geral: 09
– Índios: 64
– Unidades de Conservação: 07
• A partir de maio observou-se um crescimento nas reproduções de notícias do site do ISA por sites especializados como Ambiente Brasil e Amazônia.org.br.
• No total, foram 336 inserções na mídia com destaque para matérias publicadas pelos principais jornais do país (O Estado de S. Paulo, Correio Braziliense, Folha de S. Paulo, Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil, O Globo, A Crítica, Gazeta do Povo) sobre as ações do ISA. Em rádio e televisão foram muitas as inserções e entrevistas com a equipe do ISA, especialmente na época da Rio + 10 e da realização da 6ª Conferência das Partes da Convenção da Biodiversidade, em Haia, do lançamento do Diagnóstico da Billings e dos livros A Década do Impasse; O Direito para o Brasil Socioambiental; Seria Melhor mandar ladrilhar? Biodiversidade, como, para que, por quê; Meio Ambiente Brasil , Avanços e Obstáculos Pós-Rio 92.
• Visitas ao site: 590.923
• Solicitações de imprensa: 274 solicitações de veículos de imprensa, incluindo emissoras de rádio, TV, jornais, sites e revistas.

O novo governo e as políticas socioambientais e Uma pauta socioambiental para o novo Congresso foram documentos elaborados pelo ISA. O primeiro, destinado ao Poder Executivo, foi publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, no caderno Eleições e repercutiu na imprensa, gerando entrevistas e matérias em rádio e tevê. Já a pauta socioambiental para o Congresso foi entregue a alguns candidatos comprometidos com a causa socioambiental. Após as eleições, o documento passou a nortear as ações do ISA junto aos parlamentares.
Uma nova página denominada Eleições 2002 passou a integrar o site para divulgar o conteúdo dos documentos elaborados pela equipe do ISA, reunindo informações sobre as eleições, como por exemplo, entrevistas concedidas por alguns candidatos a presidência (como Lula e José Serra) sobre questões socioambientais.
A equipe do ISA participou das discussões para elaboração do programa ambiental de alguns candidatos à presidência da República. Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, nas eleições de outubro, várias das sugestões do ISA foram incorporadas à versão final do programa ambiental do PT. Dessa forma, o ISA contribuiu efetivamente com as diretrizes políticas socioambientais do novo governo.
Um novo modelo organizacional começou a ser implementado como resultado das decisões tomadas ao fim de 2001, durante o seminário final de avaliação institucional. As alterações implicaram maior envolvimento do Conselho Diretor em questões decisórias, dando mais espaço à Secretaria Executiva para cuidar das questões operacionais.
No II Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, em janeiro de 2002, o ISA montou um estande e organizou duas oficinas contribuindo para divulgar o trabalho que realiza. Uma das oficinas versou sobre o tema A Função Socioambiental da Terra: Reforma Agrária e Meio Ambiente, que se transformou em uma publicação do ISA. A outra oficina, denominada Estratégias para a Conservação e Desenvolvimento da Amazônia Brasileira, contou com a participação de dois governadores de estado – Jorge Vianna, do Acre e João Alberto Capiberibe, do Amapá.
O ISA venceu o Prêmio Chico Mendes, criado em 2001, pelo Ministério do Meio Ambiente, na categoria Organização Não-Governamental, por projetos educacionais junto às comunidades indígenas do Parque do Xingu (MT), desenvolvidos no âmbito do Programa Xingu.
Patrícia Mesquita/ISA

Defesa dos direitos socioambientais coletivos

O Curso de Direitos Indígenas do Rio Negro, promovido pelo Programa Rio Negro do ISA e pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), em janeiro de 2002, em São Gabriel da Cachoeira, inaugurou a segunda etapa do projeto Balcão da Cidadania Indígena no Rio Negro e reuniu cerca de 155 representantes de 49 organizações indígenas. Estiveram em debate: demarcações; superposições de terras indígenas com unidades de conservação e pendências no Rio Negro; a presença militar em terras indígenas; desafios e obstáculos para um programa regional de desenvolvimento indígena sustentável; acesso a recursos genéticos e conhecimento tradicional associado. O ISA também assessorou a Foirn na alteração de seus estatutos.
A Rede de ONGs da Mata Atlântica, da qual o ISA participa, conseguiu uma liminar contra o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio de ação civil pública, interrompendo a aprovação de planos de manejo de madeira e a emissão de autorizações de transporte

de produtos florestais (ATPFs) na Bahia, até que sejam cumpridas as condições para exploração de madeira previstas em resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou mandado de segurança impetrado pelo governo de Roraima contra a demarcação da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol. Os juízes levaram em conta os argumentos apontados pelas comunidades Jauari e Machado, representadas no julgamento pelo ISA, no âmbito do Programa Política e Direito Socio-ambiental, que defendeu a demarcação contínua daquelas terras. Elas somam 1,67 milhão de hectares e ali vivem os índios Macuxi, Wapixana, Ingarikó, Taurepang e Patamona.
Proteção dos conhecimentos tradicionais associados aos recursos genéticos foi o tema do seminário realizado em Brasília pelo Programa Política e Direito Socioambiental. Dele participaram antropólogos, pesquisadores e representantes de organizações indígenas como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia
Beto Ricardo/ISA



Brasileira (Coiab), a Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e a Associação Yakinô. A transcrição do seminário gerou novo documento da Série Documentos ISA, a ser publicado no primeiro semestre de 2003.
A participação do ISA nas reuniões do Conselho Nacional de Combate à Discriminação foi decisiva para estimular o debate em torno da polêmica questão da convivência entre índios e militares, especialmente em faixa de fronteira e da necessidade de um código de conduta entre as partes. As discussões, iniciadas em junho, passaram depois a ser realizadas em Manaus, no Comando Militar da Amazônia – os chamados Diálogos de Manaus – e foram acompanhadas pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos vinculada ao Ministério da Justiça.
Vitória dos Gavião da Montanha. No julgamento ocorrido em maio no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, o ISA, no âmbito do Programa Política e Direito Socioambiental, defendeu os Gavião fazendo a sustentação oral. Ao final, o TRF lhes deu ganho de causa. A ação foi ajuizada pelo antigo Núcleo de Direitos Indígenas, em 1989, contra a Eletronorte, e continuada pelo ISA. Os índios Gavião da Montanha tiveram reconhecido seu direito a terras em igual tamanho e condições ambientais que tinham nas terras que habitavam antes da construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí (PA).


Para contribuir com o debate sobre a questão da convivência entre índios e militares, o ISA produziu nova página no site. Denominada Especial Índios e Militares, reúne documentos, notícias e depoimentos, além de ofícios de diversas organizações indígenas e indigenistas que foram enviadas às autoridades governamentais, em protesto contra o Decreto nº 4.412, de outubro de 2002, que o presidente Fernando Henrique Cardoso assinou no final de seu mandato. Dispõe sobre a atuação irrestrita de militares e da Polícia Federal em terras indígenas em todo o país. O assunto foi levantado pelo ISA em reunião do Conselho Nacional de Combate à Discriminação (CNCD).

 

Fotos: Luiz Felipe Matos


Desenvolvimento de modelos participativos de sustentabilidade socioambiental
Inaugurada a Estação de Piscicultura de Iauaretê, situada a meia hora de caminhada do povoado de Iauaretê, no alto Rio Uaupés (AM). A estação começou a ser construída em 2001 sob a orientação de técnicos do Programa Rio Negro. Lideranças indígenas, representantes do Sebrae, da Comissão Européia e da Fundação Nacional do Índio (Funai) estiveram presentes. No local também foi construído um viveiro de mudas frutíferas que além de servir de alimento para os peixes, irá incrementar a merenda das escolas locais.
O ISA participou da terceira expedição da Associação Terra Indígena Xingu (Atix) em parceria com o Ibama, aos limites do Parque do Xingu. O objetivo foi verificar as formas e os efeitos da exploração dos recursos naturais nas fronteiras do Parque do Xingu (que abrange as áreas situadas até dez quilômetros dos limites físicos do parque.) A expedição percorreu 800 quilômetros na parte oeste do parque, no norte do Mato Grosso, onde se localiza o pólo madeireiro do estado. Os participantes, munidos de mapas,
definiram pontos críticos para vistoria em campo, estradas e locais de exploração de madeira. A equipe SOS Xingu, do Programa Xingu, assessorou a Atix na organização, sistematização e mapeamento das informações coletadas, definindo um procedimento padrão na coleta dos dados.
Concluído, em abril, o estudo sobre o Conhecimento Tradicional dos Recursos Naturais pelos antigos Panará. Trata-se de parte do Projeto Levantamento de Recursos Naturais Estratégicos da Terra Indígena Panará, coordenado pela equipe do Programa Xingu. O resultado foi um mapeamento de espécies vegetais da região de acordo com a importância que os Panará lhes atribuem, levando em conta as formas tradicionais de uso e manejo de recursos, bem como a utilização dos critérios Panará para classificação de florestas, roças, solos e espécies.
O ISA, no âmbito do Programa Rio Negro, e a Foirn iniciaram projeto para valorizar a piaçava manejada pelos índios Werekena,que habitam a região do Rio Xié,
Beto Ricardo/ISA

no alto Rio Negro (AM). Para isso foi realizada uma oficina sobre o processo de exploração e comercialização da piaçava. A idéia é que a comunidade beneficie a fibra e que o produto com valor agregado, seja vendido diretamente aos centros consumidores, evitando os atravessadores, que pagam preços irrisórios pelo material.
Com a assessoria da equipe do Programa Vale do Ribeira, os quilombolas do Quilombo de Ivaporunduva, no Vale do Ribeira (SP), iniciaram projeto de recuperação do palmito juçara, motivado pela redução da espécie na região. Foram organizados quatro mutirões para fazer a semeadura com sementes colhidas e outras compradas.
Oficinas sobre plantas da roça foram promovidas na aldeia Tubatuba Yudjá, no Parque Indígena do Xingu, com enfoque especial na mandioca, a principal cultura agrícola dos Yudjá. Divididos em grupos, 16 participantes visitaram roças locais e descreveram variedades de mandioca.
Na comunidade de São Domingos, no alto Tiquié, realizou-se uma oficina sobre o banco Tukano, importante item da cultura material do povo Tukano. Organizada pela Foirn e pelo Programa Rio Negro, foi o primeiro passo para verificar a viabilidade de
se implantar um projeto de comercialização do banco. Trata-se de um instrumento cerimonial, confeccionado só por homens, que integra diversos rituais das comunidades do alto Tiquié e é também de uso doméstico.
A madeira extraída pelo Projeto Kaben Djuoi, de manejo florestal de baixo impacto dos índios Xikrin do Cateté, desenvolvido em conjunto com o ISA, recebeu o selo verde, concedido pela FSC – Forest Stewardship Council. Desta forma, agregou maior valor à madeira extraída pelo projeto de manejo florestal.
As atividades de acompanhamento pedagógico dos professores indígenas no Xingu, realizado no âmbito do Programa Xingu, incluiu a questão do lixo nas aldeias. É que o descarte de embalagens e outros produtos vêm crescendo, e a questão das pilhas merece atenção especial por conta de seu poder de contaminação. Os professores pensaram em formas de introduzir o assunto nas aulas e iniciaram atividades de coleta, nas quais dezenas de pilhas foram recolhidas e isoladas em galões.
Foram ampliadas, no âmbito do Programa Rio Negro em parceria com a Foirn, as experiências-piloto de educação escolar indígena nas comunidades Wanano, Desana e Tukano, do alto Rio Negro.


Monitoramento e proposição de alternativas às políticas públicas
O ISA, no âmbito do Programa Xingu, coordenou expedições à Terra do Meio, no sudoeste do Pará, por solicitação do Ministério do Meio Ambiente, para elaborar um levantamento socioeconômico e ambiental daquela área, que soma 7,6 milhões de hectares. Daí surgiu a proposta da criação de um mosaico de Unidades de Conservação na área. O ISA realizou reuniões com ONGs que atuam na Amazônia, com parlamentares, índios, ribeirinhos, integrantes de sindicatos locais e representantes de movimentos sociais regionais, e daí resultaram recomendações de 14 ações prioritárias que deverão ser desenvolvidas até o final de 2003.
O ISA assinou termo de parceria com as subprefeituras de Capela do Socorro e Parelheiros, situadas na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), para elaborar o plano diretor regional, que detalha o Plano Diretor da cidade de São Paulo e propõe diretrizes específicas de zoneamento. Ao participar desse trabalho, o ISA inseriu a questão ambiental integrada à questão social e de planejamento da região, que ocupa 1/3 do município de São Paulo e tem cerca de 90% de seu território em áreas de mananciais como as bacias hidrográficas da Billings e da Guarapiranga.
O ISA coordenou o Seminário Billings 2002, que reuniu 193 participantes entre especialistas, representantes do governo estadual e governos municipais da Região Metropolitana de São Paulo, além de representantes de movimentos sociais e instituições de pesquisa. A Bacia Hidrográfica da Billings ganhou um plano de ação participativo para a sua conservação, recuperação e uso sustentável como fonte de água para o abastecimento público. Os participantes divididos em grupos temáticos, trabalharam com mapas e fichas, que foram posteriormente cruzados, resultando na identificação de áreas prioritárias de extrema importância para a bacia.
Em conjunto com o WWF (World Wildlife Fund) e o Ministério do Meio Ambiente, o ISA organizou e coordenou o seminário Análise da Implementação de Ações para o Uso, Conservação e Repartição de Benefícios na Região Juruá/Purus/Acre, em Rio Branco (AC). Essa região, que abrange 68 áreas prioritárias no Estado do Acre e no Sudoeste do Amazonas, foi a primeira a ter as recomendações do seminário-consulta de Macapá, de 1999, revisadas e aprofundadas em escala regional. Foi escolhida, justamente por ter sido uma das que mais avançaram na implementação de ações para a conservação, utilização sustentável

André Villas-Bôas/ISA
 




e repartição dos benefícios da biodiversidade. O seminário do Acre foi o primeiro dos sete previstos pelo seminário de Macapá (Projeto Avaliação e Identificação de Ações Prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade na Amazônia Brasileira).
A comunidade de São José, no médio Tiquié, sediou o encontro preparatório para implantar um sistema de vigilância nutricional no Rio Tiquié (AM). Dele participaram 27 agentes indígenas de saúde que atuam na área, além de três enfermeiros e cinco auxiliares de enfermagem do Distrito de Saúde Especial Indígena (DSEI) do Rio Negro, além da equipe do Programa Rio Negro.
Com a aprovação do projeto político-pedagógico das escolas do Parque Indígena do Xingu (MT) pelo Ministério da Educação, as escolas de 1ª a 4ª séries do parque passaram a ter reconhecido oficialmente seu currículo diferenciado e seu papel sócio-político junto às comunidades.
O ISA foi eleito representante das organizações ambientalistas no Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) Capivari-Monos. Localizada no extremo sul
da cidade de São Paulo, a APA Capivari-Monos é o último grande remanescente de Mata Atlântica no município. Nela também se localizam parte das bacias da Billings e da Guarapiranga.
Na reunião da Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 10, realizada em Joanesburgo, na África do Sul, o ISA organizou, em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), o painel Governança de Fronteira e Desenvolvimento Sustentável na Amazônia – salvando a Biodiversidade e protegendo os sistemas climáticos regionais e mundiais. O evento foi apresentado no Fórum Global e na Conferência Oficial, com boa repercussão junto à mídia internacional.
O ISA participou como observador das reuniões do Conselho do Patrimônio Genético (CGEN), que se reuniu pela primeira vez em abril e não incluiu a participação de representantes da sociedade civil.




Pesquisa, difusão, documentação de informações socioambientais

O Programa Política e Direito Socioambiental lançou as publicações: Formas de Organização, destinada aos parceiros indígenas; Tijuco Alto, Saiba porquê ela não interessa ao Vale do Ribeira – sobre os impactos socioambientais da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto, para apoiar comunidades quilombolas no processo de licenciamento ambiental da barragem. Publicou ainda duas coletâneas: O Direito para o Brasil Socioambiental, e Seria Melhor Mandar Ladrilhar? Biodiversidade, como, para que e por quê.
Também foram lançadas: A Década do Impasse, coletânea de artigos do jornalista Washington Novaes e Meio Ambiente Brasil, Avanços e Obstáculos Pós-Rio 92. A primeira foi feita em parceria com a Editora Estação Liberdade. A segunda, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, a Fundação Ford e a Editora Estação Liberdade.


A equipe do Tema Povos Indígenas comemorou o lançamento do centésimo verbete da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil no site, além de dois verbetes regionais: Parque Indígena do Xingu e Noroeste Amazônico.
O Banco de Notícias, que reúne textos coletados na imprensa nacional e regional sobre Povos Indígenas no Brasil e populações tradicionais, elaborado pela equipe de Monitoramento de Áreas Protegidas, encerrou o ano com 4.500 notícias digitalizadas.
A equipe do Tema Povos Indígenas incrementou a atualização on line da situação jurídica das terras indígenas.

A equipe de Monitoramento de Áreas Protegidas reformulou o Banco de Unidades de Conservação no Brasil, que encerrou 2002 com 1.622 unidades armazenadas.
O Projeto Formação de Professores Indígenas do Programa Xingu produziu cinco cartilhas nas línguas-mãe dos povos Trumai, Panará, Mehinaku, Kuikuro e Aweti, e o Livro das Águas, de educação ambiental. Ainda no âmbito do Programa Xingu, foi lançado o primeiro volume da série A Ciência da Roça no Parque do Xingu, resultado dos cursos de Formação de Agentes Indígenas para o Manejo de Recursos Naturais.
O Diagnóstico Socioambiental da Bacia Hidrográfica Billings, elaborado pela equipe que hoje se denomina Mananciais da Região Metropolitana de São Paulo, foi lançado no final de abril com grande cobertura da imprensa de São Paulo.
O Projeto de Educação Indígena do Programa Rio Negro desenvolveu em parceria com a Foirn, a Organização Indígena da Bacia

 

do Içana (Oibi) e comunidades Baniwa e Coripaco, o livro Iemakaa de apoio à alfabetização na língua baniwa. Também lançou novo livro em língua tuyuka, denominado Wederira Tuohoarira.
As Manchetes Socioambientais, trabalho realizado pela área de Documentação do ISA, foram incrementadas com a entrada de novos assuntos como Eleições 2002.
Foi concluída a pesquisa sobre Saúde e Nutrição no Tiquié, desenvolvida pelo Programa Rio Negro.
Foram divulgados os primeiros resultados do levantamento socioeconômico em Iauaretê, realizado pelo Programa Rio Negro.
Debate sobre a desnutrição em algumas aldeias no Parque Indígena do Xingu reuniu lideranças, professores, agentes de manejo, de saúde, auxiliares de enfermagem e mulheres dos povos Yudjá, Kaiabi e Suyá, além de representantes da Atix, do Programa Xingu do ISA e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Fortalecimento institucional
dos parceiros locais

A equipe da área de Gestão das Organizações Parceiras Locais do ISA organizou e elaborou o Manual para administração de organizações indígenas destinado a apoiar o trabalho de organizações indígenas no Brasil. A publicação é uma parceria do ISA com a ONG pernambucana Afinco – Administração e Finanças pelo Desenvolvimento Comunitário.
Em maio, várias equipes do ISA, como a do Direito Socioambiental, do Programa Xingu, de Gestão das Organizações Parceiras Locais e do Brasil Socioambiental, reuniram-se no Posto Diauarum, no baixo Xingu, para explicar e debater a organização do Estado (o funcionamento dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no Brasil). O pedido foi feito pela Atix e do encontro participaram 28 lideranças indígenas, pessoas de diferentes equipes do ISA, uma assessora do

Centro de Trabalho Indigenista e três índios Wajãpi, vindos do Amapá. Foram discutidos pontos específicos da legislação brasileira como o direito de usufruto exclusivo da terra e a mineração em terras indígenas, o Estatuto do Índio e a questão da tutela e o acesso aos recursos genéticos e a repartição de benefícios provenientes de sua exploração quando associada ao conhecimento tradicional dos índios.
 


 

 

 

Beto Ricardo/ISA
Nina Kahn/ISA
Paulo Junqueira, do Programa Xingu, com os índios Panará, na Associação Iakiô

Aloisio Cabalzar/ISA

Rainforest Foundation/US

André Lima, do Programa Política e Direito Socioambiental, em reunião do Conselho Diretor da Rainforest, em Nova York

Marlui Miranda


Estação de Piscicultura em
Iauaretê (AM): construída sob
orientação de técnicos do Programa Rio Negro

Exposição itinerante em Registro (SP) divulga resultados do diagnóstico socioambiental do Vale do Ribeira

João Paulo Capobianco
Participantes do Seminário Billings 2002 definem ações prioritárias para o maior reservatório de água da Grande São Paulo


Mestres na fabricação do tradicional banco Tukano participam de oficina em São Domingos, no Alto Tiquié (AM)
Fábio Graf, do Programa Vale do Ribeira, e quilombolas estudam locais para semear palmito juçara no Quilombo de Ivaporunduva (SP)

Beto Ricardo/ISA

Time de futebol do ISA em São Gabriel da Cachoeira (AM)



A antropóloga Carmem Junqueira, ladeada por
dois Tuyuka durante curso de formação de professores no Xingu

Antonio Resende, Tuyuka, e
Aloisio Cabalzar editam áudio
após Oficina de Música Tuyuka
em São Gabriel da Cachoeira

 

 

 


Cristina Velasquez/ISA

Rosana Gasparini/ISA

Coleta seletiva de lixo, desenvolvida por professores indígenas, recolhe e isola pilhas em aldeias do Xingu

Cláudio Matera

Aloisio Cabalzar/ISA

Flora Cabalzar com alunos e professores da Escola Tuyuka em aula de artesanato


Camila Gauditano/ISA

 

Reformulação do site do ISA
Realizada no segundo semestre do ano passado foi apresentada
no seminário de final de ano do ISA. O prazo inicial para sua
implementação é agosto de 2003.

Em 2004,

o ISA faz 10 anos

 


© 2003 – Instituto Socioambiental
Para reproduzir qualquer trecho deste site, é necessária a autorização expressa e por escrito do Instituto Socioambiental.
É vedada a reprodução das fotos e ilustrações.
 
^ Topo  i m p r i m i r imprime    f e c h a r