Resultados e recomendações

O Seminário Guarapiranga 2006, realizado nos dias 30 de maio a 1 de junho, resultou em 63 propostas para viabilizar a represa como manancial produtor de água de qualidade para o futuro. As propostas foram detalhadas em mapas e banco de dados, e contêm metas de realização e respectivos responsáveis, entre poder público, sociedade civil organizada, universidades, movimentos sociais, clubes, empresários, e moradores da região. O seminário também produziu a “Carta da Guarapiranga - Água boa para os próximos 100 anos da represa”, documento que formaliza princípios e ações de recuperação e preservação de toda a bacia hidrográfica da Guarapiranga, manancial que abastece 3.7 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

Entre as principais recomendações do Seminário, estão: reorientar o crescimento da RMSP para as áreas já dotadas de infra-estrutura; valorizar dos serviços ambientais prestados pelos mananciais para a cidade; implantar saneamento ambiental nas áreas urbanizadas; fomentar atividades compatíveis com a produção de água; garantir participação social na gestão dos mananciais; reverter investimentos e ações promotoras de degradação; exigir ações para mitigar os impactos que o Rodoanel está causando na região.

No primeiro dia os participantes foram divididos em sete grupos por eixos temáticos: transposição e qualidade da água; expansão urbana I e II; situações de risco e degradação socioambiental; atividades econômicas; serviços ambientais; investimentos e intervenções em andamento e planejadas para a região. O objetivo do primeiro dia era a discussão de questões que prejudicam, ameaçam e contribuem para que a Guarapiranga seja um manancial produtor de água de boa qualidade. Durante a noite, as informações produzidas pelos participantes foram inseridas em banco de dados e, na medida do possível, georreferenciadas.

No segundo dia, os participantes foram divididos em seis grupos regionais, que tinham como objetivo a proposição de ações, com definição de metas e responsáveis por sua realização. Um grupo trabalhou as questões referentes à área de abrangência da RMSP e do Rodoanel, e os demais trabalharam porções específicas da Bacia. Durante a noite, as informações foram inseridas em banco e georreferenciadas, resultando em seis mapas e conjunto de 63 propostas de ações para viabilizar a represa, entre projetos, programas e intervenções locais.

No terceiro e último dia, foi realizada plenária de discussão dos resultados, definição das principais recomendações e do conteúdo da “carta de princípios para os próximos 100 anos da represa”. Os mapas e propostas serão disponibilizados no site do Seminário até meados de julho, e está prevista a produção de uma publicação impressa, com tiragem de mil exemplares, a ser lançada até setembro de 2006.

Para que os resultados desta grande articulação de atores sociais pudessem ser sistematizados e convertidos rapidamente em informações, foi necessário o envolvimento de uma equipe de 20 profissionais de diferentes áreas (equipe do ISA presente no seminário) e que foi responsável por: produção de site do Seminário; cadastramento on-line dos participantes; organização de hospedagem e alimentação; produção de materiais de apoio; recepção dos participantes; produção de mapas prévios; produção de banco e treinamento alunos do Senac voluntários para preenchimento de banco de dados e apoio aos grupos de trabalho; e finalmente, georreferenciamento das informações durantes a noite e impressão de mapas. Este investimento, por sua vez, se traduz na rapidez com que os resultados podem ser analisados e disponibilizados.

O evento foi realizado no Solo Sagrado de Guarapiranga, área de propriedade da Igreja Messiânica Mundial do Brasil/Fundação Mokiti Okada, teve 3 dias de duração e reuniu 162 pessoas, incluindo 35 representantes de diferentes organizações da sociedade civil, 22 representantes de centros universitários e instituições de pesquisa, 14 representantes do setor privado, 55 representantes de poder público municipal (São Paulo, Embu-Guaçu, São Lourenço da Serra, Juquitiba e Taboão da Serra) e 36 representantes do Estado. Além de uma equipe de apoio de 20 pessoas e sete alunos do Senac que trabalharam na assessoria aos grupos e preenchimento de banco de dados, de forma voluntária.