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Hoje: Água, Amazônia, Biocombustível, Código Florestal, Povos Indígenas, Sustentabilidade, UCs

Biocombustível

Biocombustível empurra boi para a mata
A expansão da área plantada para elevar a produção nacional de biocombustível até 2020 pode forçar criadores de gado a avançar sobre o Cerrado e a Amazônia. O movimento geraria desmatamento e a consequente emissão de gases do efeito estufa. É o que diz o pesquisador brasileiro David Lapola, da Universidade de Kassel (Alemanha), autor principal de um estudo publicado na edição de hoje da revista PNAS. Segundo o estudo, se o Brasil cumprir seu objetivo para 2020 -aumentar em 35 bilhões de litros a produção de álcool e em 4 bilhões de litros a de biodiesel de soja- essas duas culturas empurrariam as pastagens para cerca de 60 mil km2 de floresta, desmatando uma área maior do que a Paraíba. As conclusões de Lapola e seus colegas saíram da projeção de uma tendência que já se verifica - OESP, 9/2, Vida, p.A18; FSP, 9/2, Ciência, p.A18.

Ecólogo defende dendê no lugar do biodiesel de soja
O estudo de David Lapola também examina qual planta será a melhor para produzir biodiesel no Brasil. Segundo o trabalho, quase toda a pressão indireta que a soja produziria sobre a mata seria eliminada caso o combustível oriundo dela fosse trocado pelo de dendê. "Para atender a mesma demanda de biodiesel, o dendê requer uma área muito menor, porque produz mais", explica Lapola. "Com ele, o biodiesel ajudaria a promover a agricultura familiar e de pequena escala, sobretudo no Nordeste". Suzana Kahn Ribeiro, secretária nacional de Mudança Climática, discorda: "O problema principal é mais associado à logística e à escala do que à matéria prima. A única oleaginosa que tem escala agora no Brasil para poder baixar o preço do biodiesel é a soja" - FSP, 9/2, Ciência, p.A18.

Brasil Ecodiesel coloca terras à venda
A Brasil Ecodiesel vai colocar à venda 23 mil hectares de terra localizados no Piauí, Ceará e Minas Gerais. De acordo com o presidente da empresa, Mauro Cerchiari, das terras que possui no País, a companhia vai conservar apenas os 17 mil hectares que possui em Irecê, na Bahia. A empresa foi criada com o objetivo de produzir biodiesel usando matérias-primas regionais e alternativas - como a mamona, produzida pela agricultura familiar. Mas os investimentos não deram certo e a empresa passou a acumular prejuízos, que culminaram em um processo de reestruturação. A Brasil Ecodiesel concentrou sua produção na soja e reduziu a operação de suas unidades nordestinas. Além da venda das terras, a empresa investirá em pesquisa e desenvolvimento de oleaginosas alternativas, começando com o pinhão manso - OESP, 9/2, Negócios, p.B18.


Água

São Paulo: 750 mil sem água
Quase dois dias após o rompimento de uma adutora na zona sul de São Paulo, 750 mil pessoas continuavam sem água ou com o abastecimento em sistema de rodízio, na noite de ontem. A Sabesp previa que os bairros do Butantã, Pirajuçara e Vila Sônia recebessem água parcialmente entre a noite de ontem e a manhã de hoje, mesmo prazo dado para os moradores do Morumbi. A empresa não divulgou quando os moradores das outras regiões receberão água em suas casas. Cerca de 30 funcionários trabalham no reparo da adutora. Entretanto, ainda não há uma previsão para que os trabalhos sejam concluídos - OESP, 9/2, Metrópole, p.C4; FSP, 9/2, Cotidiano, p.C3.

Investimentos no Alto Tietê
"O governo do Estado de São Paulo anunciou um aumento de 50% nas verbas destinadas à recuperação, conservação e manutenção da Bacia do Alto Tietê. R$ 305 milhões deverão custear a construção de piscinões, a canalização de córregos, a remoção de 1,3 mil famílias de áreas alagadiças e o aumento de 150% no volume de sedimentos recolhidos do leito do Rio Tietê. Melhor resultado pode ser alcançado se, além do desassoreamento e dos piscinões, houver um rígido controle para impedir construções irregulares nas margens dos cursos d'água e aumentar a eficácia dos serviços de coleta de lixo que, a cada chuva, é carregado para os córregos e rios. Essa parte do combate às enchentes compete aos governos municipais. Ou seja, se Estado e prefeituras não agirem em conjunto, os esforços isolados de cada um serão pouco menos que inúteis", editorial - OESP, 9/2, Notas e Informações, p.A3.


Amazônia

Acusado pela morte de Dorothy vai ao STF
A defesa do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, condenado a 30 anos de prisão acusado de ser o mandante do assassinato da missionária americana Dorothy Stang, avisou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal. Bida está preso desde sábado, quando se entregou à Polícia Civil do Pará - OESP, 9/2, Nacional, p.A12.

Remédio contra a ignorância
"A monocultura extensiva nunca foi e jamais será um caminho de melhora na qualidade de vida da maioria da população. A silvicultura, com o plantio de acácias, foi estandarte durante anos dos mesmos políticos que hoje ficam caladinhos quando denunciamos o enorme prejuízo ambiental (e econômico) que tal atividade vem causando para o ecossistema Lavrado. Há dois anos foi o etanol a grande bandeira de redenção levantada pela maioria dos políticos e pela mídia local. Pois bem, não é viável tal empreendimento, nem nunca foi. Agora as trombetas soam uníssonas no sentido de construir a redenção energética de Roraima, que seria uma hidroelétrica na região do Uiramutã. O município do Uiramutã já decretou situação de emergência devido à seca. E é lá que querem construir uma hidroelétrica salvadora? Parece piada", artigo de Jaime Brasil Filho - Folha de Boa Vista, 8/2, Opinião.


Geral

Sustentabilidade controversa
Ambientalistas e ruralistas na Câmara tentam conciliar produção e preservação na finalização do texto do Código Florestal Brasileiro. Uma das principais mudanças deve ser a regionalização das normas ambientais. Conforme vem sendo discutido na comissão especial, a legislação federal traria normas e conceitos gerais e caberia às assembleias legislativas definições mais técnicas, como as dimensões das áreas consideradas de proteção ambiental. Outra mudança seria no conceito de reserva legal. Os parlamentares articulam retirar a propriedade como parâmetro e estabelecer áreas preservadas dentro dos biomas. As chamadas áreas de preservação permanente (APPs) são outro foco. A ideia dos parlamentares é tratar apenas da conceituação e estabelecer mínimos e máximos, de modo que fique para os estados a definição final do que deve ser preservado - CB, 8/2, Política, p.5.

Mulher ferida em protesto de índios está em estado grave
Uma mulher de 34 anos foi hospitalizada em estado grave ao ser ferida por uma pedra que atingiu o para-brisa do carro em que estava durante confusão com índios acampados na sede da Funai em Londrina (PR), no sábado. Familiares de Érica Pedrão Brito acusam índios de terem lançado a pedra. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso. Os índios confirmam que atacaram o carro, mas negam que tenham usado pedras. Índios Kaingang, Guarani e Xetá estão no prédio da Funai há 25 dias, em protesto contra o Decreto 7.056/09, que reestruturou o órgão e extinguiu administrações regionais. Com reivindicação idêntica, cerca de 50 índios Apurinã, Mura e Sateré Mawé ocuparam a sede da Funai em Manaus (AM) - FSP, 9/2, Brasil, p.A12; OESP, 9/2, Nacional, p.A8.

Berço invadido
"O município de Rio Claro, no interior paulista, tomou um susto neste começo de ano. Seu maior patrimônio ecológico, o antigo Horto, foi invadido por um grupo de sem-terra. Vem de longe a história da atual Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade. Seus 2.230 hectares de florestas representam uma dádiva incrustada em meio aos canaviais da região. Aos olhos dos invasores de terras, entretanto, aquela mancha verde expressa uma gleba ociosa, inaproveitada, abandonada. Tal percepção equivocada ocorre há tempos no processo da reforma agrária brasileira. Imensas e ricas áreas com remanescentes da floresta atlântica, dos cerrados ou da Amazônia viraram pobres assentamentos rurais, surrupiando a mata virgem em nome da ênfase produtiva. Uma lástima", artigo de Xico Graziano - OESP, 9/2, Espaço Aberto, p.A2.

Desenvolvimento sustentável planejado
"No nível das burocracias governamentais, as questões do meio ambiente no Brasil têm sido tratadas dentro de uma estrutura administrativa que disputa isoladamente os seus recursos humanos, financeiros e institucionais visando a realizar sua missão institucional. Uma estrutura administrativa, contudo, sem capacidade de coordenar transversalmente os programas estratégicos e operacionais dos demais segmentos administrativos que têm poderosos - e muitas vezes irreversíveis - rebatimentos sobre os ecossistemas regionais. O que se propõe é considerar, num plano de governo, o meio ambiente não só como um fator de produção a mais que apenas necessita ser utilizado sustentavelmente sob a égide de uma política pública setorial. Mas como um elemento pivotal, que contém, provisiona e sustenta toda a economia no médio e no longo prazos", artigo de Paulo R. Haddad - OESP, 9/2, Economia, p.B2.

Leila Maria Monteiro da Silva


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