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Hoje: Amazônia, Biodiversidade, Clima, Povos Indígenas, UCs, Desenvolvimento Humano

Direto do ISA

Organizações indígenas querem falar com Temporão sobre Funasa e gestão da saúde
O Conselho Indígena de Roraima e a Hutukara Associação Yanomami estão solicitando audiência com o ministro da saúde, José Gomes Temporão. Querem discutir a gestão da saúde indígena e a Funasa em Roraima. O decreto assinado por ele e pelo Presidente Lula em 18 de junho passado deu autonomia administrativa e financeira aos DSEIs, mas dentro da Funasa, ao contrário do que reivindicavam os povos indígenas. O órgão também não renovou convênios estabelecidos com instituições de confiança dos índios. O líder indígena Davi Yanomami gravou mensagem reiterando pedido de audiência. Assista - Notícias Socioambientais, 2/7.

ISA divulga carta sobre Mosaico Jureia-Itatins
Documento manifesta a posição do ISA diante da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que anulou a Lei do Mosaico Jureia-Itatins. O plano de manejo para o mosaico estava em elaboração e sendo executado pela Fundação Florestal, juntamente com a Unicamp e o ISA - Notícias Socioambientais, 3/7.


Povos Indígenas

Indígenas realizam manifestação na sede da Funasa em RR
Representantes das organizações indígenas dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Leste e Yanomami fizeram manifestação na frente da sede da Funasa em Roraima ontem. Os indígenas protestavam contra o convênio de atendimento que está em andamento com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). Eles exigem a autonomia imediata dos DSEIs. "Os indígenas estão unidos para chamar a atenção das autoridades que sem consultarem as lideranças, estão colocando a Sesau para trabalhar com os índios. Somos contra essa decisão, defendemos que os distritos sanitários atuem por que eles conhecem o povo faz tempo. Sesau não conhece o povo Yanomami, não tem experiência e nem fala a nossa língua", destacou Davi Kopenawa Yanomami, representante do povo Yanomami - Folha de Boa Vista, 3/7.

Índios fazem ato contra acordo em RR
Lideranças indígenas de Roraima realizaram ontem pela manhã um ato de protesto diante da sede regional da Funasa, em Boa Vista. Eles reivindicavam o cancelamento da parceria firmada pela Funasa com o governo do Estado para a prestação de serviços de saúde às comunidades indígenas. De acordo com representantes do Conselho Indígena de Roraima (CIR), os índios não foram consultados sobre o convênio e não confiam nas autoridades estaduais. De acordo com assessores da Funasa, a entidade optou por firmar o convênio com o governo estadual após constatar deficiências nos serviços prestados por ONGs às comunidades indígenas. Ainda segundo os assessores, com o novo esquema os serviços apresentam um grau de eficiência maior e são menos dispendiosos - OESP, 3/7, Nacional, p.A9.

Yanomami aceitam trigêmeas
O nascimento de trigêmeas na aldeia Yanomami de Ariabu, em Maturacá (AM), em junho, foi motivo de apreensão entre profissionais da Funasa. Crianças gêmeas costumam ser vistas como fonte de azar pela tradição Yanomami. Para eles, gêmeos têm a alma partida, e representam o bem e o mal. Como não se saberia que bebê representa o mal, todos são sacrificados. Com as trigêmeas foi diferente. O pai insistiu em ficar com os bebês e a comunidade se dispôs a ajudar o casal a criar as meninas. Os bebês e a mãe estão na Casa de Saúde do Índio, em Santa Isabel do Rio Negro, e devem ter alta em duas semanas. A Funasa mandará uma enfermeira à aldeia - O Globo, 3/7, O País, p.10.

PF encontra munição em terras indígenas
Em uma semana, a Polícia Federal registrou a presença ilegal de diversas cartelas de munição nas terras indígenas Yanomami e Raposa Serra do Sol. A situação deixa claro o comércio ilegal e o fácil trânsito do material nas reservas. Duas pessoas foram presas e dois inquéritos estão em andamento. "Foram duas apreensões seguidas de munições destinadas a duas terras indígenas, absolutamente distintas. O que nos leva a crer, que não apenas garimpeiros transportam este tipo de produto para o interior das reservas", disse o delegado Rodolfo Saldanha. "Ou seja, os próprios indígenas estão adquirindo armas e munições em Boa Vista, seja para caçar ou qualquer outra finalidade e estão levando para o interior das reservas", completou - Folha de Boa Vista, 3/7, Cidades.


Amazônia

Para frigoríficos, ação do MPF foi irresponsável
Em audiência pública ontem em Belém (PA), um representante do setor dos frigoríficos disse que o Ministério Público Federal (MPF) foi "prepotente", "irresponsável" e agiu de maneira "açodada" ao mover ações contra pecuaristas e frigoríficos que comercializaram bois criados em área desmatada. Deputados, senadores e o diretor-executivo da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) Otávio Cançado criticaram os termos do TAC (Termo de Ajuste de Conduta) apresentado pelo MPF, dizendo que suas condições são irrealizáveis. Para o procurador Daniel César Avelino, um dos que assinam as ações, esse é um "jogo de cena", uma vez que as negociações de acordo com diversas empresas já estão "avançadas" - FSP, 3/7, Dinheiro, p.B8.

'Boi do desmatamento': impasse
A audiência pública em Belém para buscar outra solução que não o embargo ao chamado "boi do desmatamento", definido assim pelo MPF no Pará, não chegou a consenso. A única decisão prática foi a criação de uma comissão, formada por representantes do Senado, Câmara dos Deputados, Assembléia Legislativa do Pará, Governo do Pará, pecuaristas e donos de frigoríficos, que irá discutir os tópicos de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). A iniciativa seria a condição exigida para que donos de frigoríficos e pecuaristas voltassem a comercializar gado no estado. O primeiro encontro do grupo foi proposto para a manhã de hoje, no Palácio dos Despachos (sede do governo paraense), em Belém - O Globo, 3/7, Economia, p.22.

Rastreamento encarecerá a carne, diz CNA
A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA, disse ontem que a exigência de rastreabilidade dos bois comprados por frigoríficos só será possível se os pecuaristas forem remunerados pelos custos para identificar a origem de seus rebanhos. O BNDES estuda limitar seus empréstimos a frigoríficos que comprovem que não compram carne de fazendas que desmatam a Amazônia. Ontem, a senadora criticou a possibilidade e disse que o país correria o risco de desabastecimento, pois o Sisbov, sistema de rastreamento de bois do Ministério da Agricultura, não teve a adesão da maioria dos produtores em razão dos custos. A ruralista também defendeu a flexibilização do Código Florestal. Ela disse que trabalha na elaboração de uma proposta que transfira da União para cada Estado a possibilidade de legislar sobre o tamanho das áreas de preservação permanentes - FSP, 3/7, Dinheiro, p.B8.

Para entrar na Amazônia, só com autorização de ministério
O presidente Lula enviou ontem ao Congresso projeto que restringe o acesso de estrangeiros à Amazônia e também a terras indígenas e quilombolas. A proposta de Lei de Estrangeiros tem 160 artigos. Para entrar na Amazônia, o estrangeiro precisará de autorização do Ministério da Justiça ou, dependendo do caso, do Ministério da Defesa. Se descumprir a regra, será expulso do país - O Globo, 3/7, O País, p.10.

Energia
O senador Romero Jucá (PMDB) anunciou que o governo federal deverá concluir até 2012 uma linha de transmissão de energia elétrica de Manaus (AM) até Boa Vista (RR). Jucá também anunciou que o governo brasileiro, através da Eletronorte e de Furnas, já decidiu construir em território da República Cooperativista da Guiana, uma grande usina hidrelétrica com capacidade de abastecer a Guiana, Boa Vista e Manaus. Segundo o senador, quando o linhão chegar a Boa Vista, a tarifa local de energia elétrica vai baixar - Folha de Boa Vista, 3/7, Parabólica.

Grupo pretende produzir açúcar e álcool em Roraima
Um grupo de empresários paulistas está analisando a implantação de uma usina para fabricação de açúcar e álcool em Roraima. "Estamos esperando apenas a conclusão de trâmites ambientais para dar prosseguimento ao projeto", disse o consultor empresarial Ivo Barbosa. Ele explicou que a empresa Usina Canavieira Roraima quer produzir também energia elétrica por meio de pequenas centrais hidrelétricas. "A ideia é que as plantações e a usina fiquem em Bonfim ou em Boa Vista", informou - Folha de Boa Vista, 3/7, Política.


Biodiversidade

Biodiversidade: mundo falhará em meta de preservação
Mais de 800 espécies de animais e plantas foram extintas nos últimos cinco séculos e outras 17 mil estão ameaçadas hoje. Os dados são da IUCN (União Internacional para a Conservação na Natureza). A análise divulgada ontem da chamada Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas indica que o mundo não vai cumprir a meta de reduzir "de maneira significativa" a perda de biodiversidade até o ano 2010 - como acordado pela Convenção da Diversidade Biológica - FSP, 3/7, Ciência, p.A16; O Globo, 3/7, Ciência, p.29.

Aquecimento global causa encolhimento de carneiros
Os carneiros de uma pequena ilha na Escócia estão encolhendo e a culpa, sugerem cientistas, é do aquecimento global. Em média, os carneiros-de-soay, da Ilha Hirta, estão 5% menores hoje do que em 1985, revela um estudo feito por pesquisadores do Imperial College, de Londres, publicado na revista Science. A teoria evolutiva indica que, ao longo do tempo, naquela região fria, o tamanho médio dos carneiros deveria aumentar - os maiores teriam maior probabilidade de sobreviver e de se reproduzir do que os menores. Porém, os invernos na Ilha Hirta ficaram menos rigorosos. Consequentemente, são mais fáceis de serem enfrentados e, por isso, hoje os animais menores são mais capazes de sobreviver à estação - FSP, 3/7, Ciência, p.A16; O Globo, 3/7, Ciência, p.29.


Desenvolvimento Humano

Vamos chegar a um acordo agora
"O mundo está enfrentando diversas crises. Crise alimentar, energética, de gripe, crise financeira. Estamos lutando para vencer a pior crise econômica desde a fundação das Nações Unidas, ao mesmo tempo que os efeitos das mudanças climáticas e a pobreza extrema se tornam cada vez vez mais cruéis. Milhões de famílias estão sendo empurradas para a pobreza. Cerca de 50 milhões de empregos podem ser perdidos em apenas um ano. Esse é o pano de fundo do encontro do Grupo dos 8 (G-8) na próxima semana. Raras vezes os líderes das nações mais ricas se reuniram num momento tão grave como este. Nos próximos meses, vamos ter inúmeras oportunidades para fortalecer o crescimento global, adotar medidas para combater a mudança climática e lutar contra a pobreza extrema. Enviei uma carta aos líderes do G-8, insistindo para assumirem compromissos concretos e ações específicas", artigo de Ban Ki-moom, secretário-geral da ONU - OESP, 3/7, Economia, p.B9.

Controlar trilhões resolverá tudo?
"O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon advertiu que o número de 'refugiados ambientais' poderá chegar a 200 milhões em 2050. Eles já são 24 milhões. E uma das causas é a progressiva desertificação de terras. Em 40 anos, um terço das terras de cultivo será abandonado. No Brasil já há 180 mil km2 em processo de desertificação, principalmente no semiárido nordestino, onde vivem 18 milhões de pessoas. No mundo, são 250 milhões de pessoas afetadas pela desertificação, diz a respectiva convenção mundial. Segundo a FAO, 'com 1% dos recursos dados aos bancos na atual crise (mais de US$ 4 trilhões) se resolveria o problema da fome no planeta', que agora já atinge mais de 1 bilhão de pessoas, embora haja alimentos suficientes no mundo. Mas não é disso que tratam as atuais tentativas de encaminhar soluções para a crise financeira", artigo de Washington Novaes - OESP, 3/7, Espaço Aberto, p.A2.

Cláudio Tavares


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