O texto do decreto informa que a Reserva Extratrivista do Riozinho do
Anfrísio, com área aproximada de 736 mil hectares, tem por objetivo a
proteção dos meios de vida e a cultura das populações tradicionais e
assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da área.
Há dois anos a equipe do Programa Xingu do ISA coordenou um levantamento
socioeconômico e ambiental na Terra do Meio, a pedido do Ministério do Meio
Ambiente (MMA) e empreendeu expedições à região durante quatro semanas. O
mapeamento realizado revelou que a Terra do Meio, além de ser uma das áreas
menos conhecidas do País, é também uma das menos povoadas, com cerca de 98%
de sua área bem preservada. Apontou ainda que a grilagem de terras e a
exploração do mogno têm avançado sobre o território, provocando graves
conflitos sociais.
O estudo que resultou desse trabalho propôs a criação de um mosaico de
Unidades de Conservação (Ucs) para a conservação da região. A proposta foi
apresentada e debatida previamente com representantes de movimentos sociais
do Baixo Xingu, organizações não-governamentais, institutos de pesquisas e
órgãos públicos que atuam naquela área.
A sub-região do riozinho do Anfrísio viveu o apogeu do ciclo da extração da
borracha nas décadas de 1940 e 1950. Depois disso, a população que ali vive,
permaneceu excluída da sociedade brasileira, sem direitos e benefícios
sociais. Atualmente a principal atividade econômica local é a coleta de
sementes oleoginosas e de castanha do Pará. "Muitos moradores, ainda hoje,
nunca viram sequer uma nota de dinheiro", afirma André Vilas-Boas,
coordenador do Programa Xingu do ISA. "Nossa expectativa é que, com a
demarcação da reserva criada pelo presidente Lula e
a estabilidade fundiária, o Estado brasileiro inicie um
processo de inclusão social destas populações".

Equipe do ISA a bordo de uma voadeira navega o riozinho do Anfrísio na expedição de 2002
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O riozinho do Anfrísio é um afluente do rio Iriri que, por sua vez, é afluente do Rio Xingu. A atuação do ISA em 2002 visava fortalecer as discussões sobre a conservação da bacia hidrográfica do Xingu. Este tema permanece prioritário ao ser alvo, há duas semanas, do Encontro Nascentes do Xingu - que deu origem à campanha `Y ikatu Xingu (água boa, limpa), cujo objetivo é unir índios, fazendeiros, agricultores, governos, comerciantes locais, bem como a sociedade em geral, para discutir e implementar uma campanha em defesa das nascentes e matas ciliares do legendário rio.