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Apenas em fins de 1987, uma década depois
do contado oficial, a Funai resolveu "interditar" uma
área de 985.000 hectares, segundo os limites
propostos em um relatório que encaminhei àquele
órgão em 1982. Em maio de 1992, essa área
foi delimitada, para fins de demarcação,
por uma portaria do Ministério da Justiça.
A demarcação física do território
araweté foi feita por um convênio entre
o CEDI (Centro Ecumênico de Documentação
e Informação, ONG embrionária do
ISA) e a Funai, em julho de 1993. Os trabalhos foram
executados entre junho de 1994 e maio de 1995 com recursos
do governo austríaco destinados à conservação
de florestas tropicais, concedidos durante a Eco 92.
Em 1996, a TI Araweté foi homologada com a extensão
de 940.900 hectares.
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A concepção araweté de
territorialidade é aberta; eles não tinham,
até bem pouco, a noção de um domínio
exclusivo sobre um espaço contínuo e homogêneo.
Chegando ao Ipixuna, deslocados por outros grupos da
área que ocupavam, deslocaram por sua vez os
Asuriní. Sua história fala de um movimento
constante de fuga diante de inimigos mais poderosos.
Os Araweté não parecem ter uma geografia
mitológica ou sítios sagrados. Sua atitude
objetiva e subjetiva era um incessante ir em frente,
deixando para trás os mortos e os inimigos. A
idéia de reocupar uma área antiga lhes
é estranha - o que se constata mesmo dentro dos
limites da bacia do Ipixuna.
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As guerras em que estiveram envolvidos nunca
foram concebidas como disputas territoriais, e as tribos
que invadiam "suas" terras eram vistas menos como ameaça
à integridade territorial que à sobrevivência
física do grupo. É justamente quando do
"contato" e fixação em uma área
restrita que uma concepção fechada de
território começou a emergir. Assim, por
um lado, o estabelecimento de uma só aldeia junto
ao Posto da Funai rompe com o padrão geopolítico
tradicional, que consistia em várias aldeias
simultâneas e dispersas, menores que a aldeia
atual; a dependência do Posto diminuiu também
o raio de movimentação. Por outro lado,
o convívio com as concepções ocidentais
de territorialidade (transmitidas direta ou indiretamente
pelos brancos) e a situação de enclausuramento
geográfico levam à emergência de
uma noção territorial fechada e exclusiva,
consagrando uma nova situação histórica
- o fato de um "território araweté".
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