Línguas gerais
Introdução
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua
dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada sobre uma enorme extensão
ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida
pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena.
Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se
e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda
a população que integrava o sistema colonial brasileiro.
Grande parte dos colonos vinham da Europa sem mulheres e acabavam tendo
filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica
era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões
jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de
catequização indígena. O padre José de Anchieta
publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática
da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se
o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito
de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário
na Língua Brasílica.
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua,
já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados
e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral.
Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil Colônia: a paulista
e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário
popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais,
alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que "a língua dos
índios é (apenas) o tupi".

Língua geral paulista
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi
de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá.
No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos
como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou
em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando
a linguagem corriqueira de brasileiros.

Língua geral amazônica
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão
e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século
XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa
e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica
passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ieengatú
= língua boa).
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado
nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e
Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o
caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre
índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação
étnica dos povos que perderam suas línguas, como os Baré,
os Arapaço e outros.
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