O sistema de governo local segue o padrão estabelecido
pela Funai para a grande maioria dos grupos indígenas:
existe um cacique que representa a comunidade e este,
por sua vez, se entende com o Chefe de Posto, um agente
designado pela Funai para ser responsável pela
Terra Indígena.
Atualmente, existe uma Associação presidida por José Luiz Kasupá que cuida de várias questões indígenas e promove ações de interesse da comunidade. De acordo com Kasupá, no momento, está sendo implementado o Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas com o fim de resgatar a história e os valores culturais de sua comunidade. Afirma ele, ainda, que atualmente, a maioria dos Aikanã residem nas aldeias da Terra Indígena.
Por outro lado, existem outras informações
não muito otimistas sobre o povo Aikanã.
Na década de 1990, quando esta pesquisadora melhor
conheceu a área indígena, quase todos
os homens adultos da TI eram seringueiros. O sustento
de suas famílias vinha deste trabalho e havia
uma certa estabilidade. Hoje, porém, houve uma
drástica desvalorização daquele
produto e as pessoas tentam ganhar seu sustento das
formas mais variadas, tais como: trabalho nas cidades,
exploração de madeira, criação
de animais e outros. Além do mais, não
é trivial o fato de que muitos jovens deixam
as aldeias para se casarem com pessoas de fora de sua
comunidade, pois os parentescos são cada vez
mais próximos. Assim, as perdas vão se
acumulando.
Como se vê, a exemplo do que ocorreu com tantos povos indígenas do território brasileiro, os Aikanã não foram e não estão sendo poupados das conseqüências negativas e desestabilizadoras decorrentes do contato com a sociedade envolvente. |