Existe hoje uma escola em cada uma das três aldeias, mantidas pela prefeitura de Vilhena, com professores Aikanã e não-Aikanã. A Profa. Luzia Aikanã, com a assessoria desta pesquisadora, começou o ensino da língua materna em 1992. Desde então, a professora tem participado de vários encontros pedagógicos direcionados para a educação escolar planejada para os povos indígenas da região de Rondônia.
O Aikanã ainda é uma língua não
classificada. Até agora não foi possível
determinar seu relacionamento genético com outras
línguas indígenas brasileiras, mesmo aquelas
faladas pelos vizinhos na região do Guaporé.
Todos os Aikanã falam o português e alguns
falam o Koazá. Mas existem alguns que só
falam o português. Um dado interessante é
que em duas aldeias os alunos estão sendo alfabetizados,
também, em sua língua materna. No entanto,
esta é uma língua ameaçada de extinção.
Os filhos dos casamentos com pessoas que não falam Aikanã tendem a falar a língua nacional, o que constitui um elemento de pressão para o abandono da própria língua. Além disso, aqueles que saem de suas aldeias em busca de melhoria de condições de vida são também obrigados a falar a língua portuguesa.
Uma análise segmental da fonologia desta língua mostra que ela tem dezesseis consoantes e dez vogais, das quais seis são orais e quatro nasais. Dentre as características morfológicas incomuns exibidas pelo Aikanã, destacam-se os classificadores. Estes são morfemas encaixados dentro de uma construção verbal com a finalidade de fornecer informações sobre aspectos semânticos do argumento do verbo, como por exemplo, tamanho, forma, consistência e outras que tais. |