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Entre os anos de 1968 e 1992, os Aparai
e os Wayana conviveram no rio Paru de Leste com missionários
protestantes norte-americanos do então chamado Summer
Institute of Linguistics (SIL, hoje também chamada
Sociedade Internacional de Lingüística). Junto com suas
atividades proselitistas, e com propósitos educacionais,
estes missionários iniciaram um trabalho de 'recuperação'
e incentivo à comercialização de artigos da cultura
material aparai e wayana, visando garantir a auto-suficiência
econômica destes índios e familiarizá-los com a economia
monetária e mercantil. No final da década de 60, estabeleceu-se
uma 'cantina' para troca de artesanato aparai e wayana
por bens manufaturados, sob direção de um índio aparai
chamado Zé Pereira. Com a morte de Zé Pereira, uma nova
'cantina de troca' foi criada em 1975, também com apoio
dos missionários e sob responsabilidade de outro índio
aparai, Jaké. Este último foi, até recentemente, o principal
intermediário na comercialização de artesanato e bens
industrializados entre as cidades de Macapá e Belém
e as aldeias indígenas.
Entre 1977 e 1990, houve um grande aumento na
produção e comercialização do artesanato Aparai e Wayana,
apoiado desde então pela FUNAI e seu Programa Artíndia.
A partir de 1997, a Associação dos Povos Indígenas
do Tumucumaque (APITU) iniciou o Projeto Tykasahmo
de incentivo à produção e comercialização de artesanato
aparai e wayana, com financiamento do Subprograma Projetos
Demonstrativos (PD/A-PPG7), e a instalação de três novas
'cantinas' de compra e venda nas aldeias.
Desde o início, quando ainda era incentivada
pelos missionários do SIL, a produção de itens destinados
exclusivamente à comercialização tem acarretado mudanças
na cultura material aparai e wayana. Progressivamente,
os itens da cultura material têm sido estilizados, destinados
apenas à comercialização e substituídos, no cotidiano
das aldeias, por artigos industrializados. Além disso,
verifica-se um fenômeno mais amplo de transformação
da cultura – em suas formas mais 'substantivas': cultura
material, festas, ritos e conhecimentos – numa mercadoria,
destinada a veicular uma identidade étnica e cultural
estereotipada e à obtenção de recursos para aquisição
de artigos industrializados.
Além da comercialização de artesanato, muitos
Aparai e Wayana têm buscado dedicar-se a outras atividades
como a prestação de serviços e o trabalho em garimpos
vizinhos, ou para os órgãos assistenciais (FUNAI, FAB,
Governo do Estado do Amapá). A partir de 1994, a APITU
passou a estabelecer uma série de convênios com o Governo
do Estado do Amapá, que aumentaram muito o número de
contratações de índios como: professores indígenas,
monitores de saúde, pilotos e 'proeiros' de lanchas,
monitores para a produção de artesanato, assistentes
de enfermagem. Por conseguinte, os Aparai e Wayana utilizam
cada vez mais o dinheiro como medida de valor e meio
de troca (moeda corrente) em algumas transações fora
e dentro das aldeias.
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