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De acordo com as fontes históricas e
seus próprios relatos, os Aparai e Wayana têm
origens distintas. Os primeiros são provenientes
da margem sul do rio Amazonas, tendo migrado até
a região dos baixos e médios cursos dos
rios Curuá, Maicuru, Jari e Paru de Leste, e
de lá até a sua área de ocupação
atual. Os Wayana, por sua vez, ocuparam por muito tempo
a região do alto e médio curso do rio
Paru de Leste, seu afluente Citaré, o alto rio
Jari, além dos rios Litani, Paloemeu e afluentes.
No século XVI, os Aparai ocupavam a margem
direita do rio Amazonas, ao sul, e, à sudoeste,
pela região onde hoje estão as cidades
de Macapá e Belém. Outros grupos, posteriormente
assimilados, viviam não muito longe do rio Amazonas,
na região dos baixos rios Paru de Leste e Jari.
No final do século XVII, os Aparai teriam
mantido relações com os grupos Apama e
Aracaju, possivelmente de língua tupi e habitantes
das proximidades de Almerim, reduzidos à Missão
do Paru, pouco a pouco integrados à população
local. Um pequeno grupo Apama teria conseguido isolar-se
na região do Maicuru até a década
de 1960, mantendo relações estreitas de
troca e intercasamento com os Aparai.
Em meados do século XVIII, são mencionados
pelas fontes históricas assentamentos Wayana
no médio rio Maroni, embora a maior parte da
população se encontrasse ainda em território
português, delimitado ao sul e a oeste, pelo rio
Citaré, ao norte, pelo igarapé Matawaré
(no alto rio Paru de Leste) e a leste pelo alto rio
Jari e tributários. O território dos Aparai,
por sua vez, ocupava a região contígua
ao sul, abaixo do rio Citaré, nos cursos médios
e baixos dos rios Paru, Curuá, Cuminá,
Maicuru e Jari. Este período foi marcado pelo
acirramento das relações de intercâmbios,
guerras e intercasamentos entre os povos indígenas
da região. Destacam-se os conflitos entre os
Aparai e Wayana, nos médios cursos dos rios Paru
e Jari; entre os Wayana e Tiriyó, ao norte destes
rios; e entre os Wayana e Wajãpi, a leste, nas
regiões limítrofes dos territórios
destes dois grupos.
Na década de 1950, os Aparai encontravam-se
ainda distribuídos pelos rios Paru de Leste,
Jari, Maicuru e alto Curuá do Alenquer; ao passo
que os Wayana ocupavam os médios e altos cursos
dos rios Paru de Leste e Jari, além dos rios
Litani (Guiana Francesa) e Paloemeu (Suriname). Até
1960, havia alguns assentamentos próximos à
região de Anatum, na confluência do igarapé
Mopecu com o baixo Paru de Leste. Em 1984, apenas uma
aldeia Aparai situava-se próxima à confluência
dos rios Jari e Ipitinga.
Hoje, os Aparai e Wayana estão distribuídos
em três grupos territoriais definidos pelos eixos
fluviais do rio Paru de Leste, no Brasil, do rio Marouni,
na Guiana Francesa e do rio Tapanahoni no Suriname.
Enquanto a grande maioria dos Aparai se encontra em
território brasileiro, os Wayana também
se distribuem pela Guiana Francesa e Suriname. Essa
configuração em três conjuntos territoriais
distintos é resultado de sua longa história
de contato com não-índios, marcada por
migrações, processos de fissão
e fusão com outros povos indígenas. De
qualquer modo, a distância espacial não
representa um obstáculo para a interação
entre esses conjuntos territoriais, que se dá,
fundamentalmente, com base em laços de parentesco
e de parcerias formais de troca.
No Brasil, os Wayana e Aparai distribuem-se
por cerca de dezesseis aldeias, todas elas situadas
no alto e médio curso do rio Paru de Leste, dentro
do Parque Indígena do Tumucumaque e da Terra
Indígena Rio Paru D'Este. Essas duas áreas
indígenas contíguas abrangem cerca de
4.266.852 ha no norte do Pará, abrigando também
grupos tiriyó, kaxuyana, akuriyó e wajãpi,
entre outros. Embora criados em épocas diferentes,
o PI Tumucumaque e a TI Rio Paru D'Este foram demarcados
e homologados em 1997, por meio de Decreto s/ n , publicado
no Diário Oficial da União, em 04 de novembro
daquele ano.
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