O povo Aranã é identificado na região
do Vale do Jequitinhonha pelas denominações
genéricas "índio" e "caboclo",
que constituem o sobrenome e o apelido, respectivamente,
das duas famílias que compõem o grupo. A inserção
dos Aranã no movimento indígena e sua busca
pela identificação étnica é
recente, datando do final da década de 1990.
Palavras de Antonio Aranã:
O índio tem três vezes parte do Brasil.
A primeira parte é essa que eles são nacionais
daqui. Quando os brancos chegaram aqui já achou os
índios. A segunda parte foi essa que eles queriam
expulsar os índios daqui (...); mataram, bateram,
espancaram... mas eles não tinham para onde ir, conseguiram
ficar desse mesmo jeito, não é? A terceira
parte foi a mistura, e que deu a maior confusão no
Brasil, porque os brancos pegaram as mulheres índias
e estupravam. Nascia um índio cruzado com branco,
um louro, igual essa menina ali. Ela é índia,
mas é loira. Então, de onde vem essa loura,
se índio não é loiro?... Então,
assim continua a história e os brancos estupravam
as moças, as mulheres, nascia diferente e as mães
aconselhavam os filhos, não é? Então,
'vê se mistura aí' e tal... Até
hoje tem muitas pessoas que são índias, mas
é branco (Fazenda Campo, 15/07/2001).