Católicos, os Aranã falam
com muito orgulho da função de sacristão
que Pedro Sangê exerceu na Fazenda Campo. Em regime
de mutirão, eles construíram uma capela
naquela fazenda, onde até hoje seus filhos e
netos realizam cultos para os poucos moradores.
Dona Terezinha, benzedeira que lidera a vida
espiritual aranã, se identifica como católica.
Responsável pela abertura de todas as reuniões
de seu povo, ela benze seus parentes, canta e reza,
e seus sonhos são entendidos como sinais divinos.
Antônio e seu filho Raimundo, conhecido
como Mundinho, são os principais responsáveis
pelas celebrações católicas dos
Aranã. Ao acompanhar o grupo, pode-se perceber
a grande importância que tem o calendário
litúrgico da igreja católica para a organização
de suas cerimônias. De forma intensa, reelabora-se,
no contexto da vida religiosa dos aranã, significados
próprios de práticas católicas
de modo a atender a especificidades da identidade indígena.
Dispersas, as famílias aranã
têm nos cultos católicos os principais
momentos de sociabilidade do grupo. Referem, ainda,
os forrós e os jogos de baralho como suas principais
fontes de entretenimento.
O chamego, bebida fermentada obtida de um fruto
chamado Quiabinho, é tida como específica
dos Aranã e um dos seus marcos de identificação
étnica, constituindo-se, deste modo, em um importante
elemento de integração na vida festiva
do grupo. Incorporada e associada aos encontros indígenas,
o chamego envolve atividades comunitárias desde
o seu preparo, ao qual todos se dedicam. Conversas e
brincadeiras muito próprias da convivência
aranã permeiam os processos sociais de confecção
e de consumo do chamego.
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