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Considerados extintos por volta da década de
1940, quando escasseiam notícias sobre sua movimentação
pela região, os índios conhecidos por "Arara"
no vale do médio Xingu voltaram à cena com
a construção da rodovia Transamazônica,
no início dos anos de 1970. O trecho que hoje liga
as cidades de Altamira a Itaituba, no Estado do Pará,
passou a poucos quilômetros de uma das grandes aldeias
onde vários subgrupos Arara se reuniam no período
de estiagem. A estrada cortou plantações,
trilhas e acampamentos de caça tradicionalmente
utilizados pelos índios. O que antes já
era um povo pequeno foi apartado pela "estrada da
integração nacional": seu leito principal,
suas vicinais, seus travessões, suas picadas e
clareiras acessórias formaram barreiras, impedindo
o trânsito dos índios pelas matas e impondo
limites à tradicional interação entre
os subgrupos que, vivendo dispersos pelo território,
articulavam-se numa rede intercomunitária coesa.
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A consolidação do longo processo
de atração, a partir de fevereiro de 1981,
depois de mais de uma década de frustradas tentativas
de contato, encontra alguns dos subgrupos Arara já
desunidos e afastados. Pelo menos quatro deles ao sul
do leito da nova rodovia, na altura do km 120, aglutinaram-se
para enfrentar a penetração não indígena
no território. Um outro ao norte, isolado e em
fuga constante, é contatado em 1983, já
com a ajuda daqueles contatados dois anos antes. Ainda
mais um é contatado em 1987, já muito longe
dos demais, apartado dos outros por razões internas
ao povo Arara, mas cada vez mais isolado e restrito aos
cantos mais ermos do território devido à
ocupação e à exploração
econômica avivadas na área indígena.
Este último subgrupo talvez seja aquele submetido
à situação pós-contato mais
dramática, que ainda perdura pela indefinição
oficial sobre as áreas destinadas aos Arara. |
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01:: foto: Carlos Namba, 1981
02:: foto: Moreira Mariz, década
de 80
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