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HISTÓRIA DO CONTATO   
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HISTÓRIA DO CONTATO
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O seu berço mítico de origem - o salto Sawâpa - situa-se abaixo da confluência do rio Verde com o Paranatinga. Devido a conflitos internos e pressões de povos indígenas inimigos, fundamentalmente os Kayabí, os Bakairi migraram em três diferentes direções. Uma parcela deslocou-se para as cabeceiras do Arinos; e foi a primeira a ser alcançada por bandeiras, nas primeiras décadas do século XVIII, sendo a partir de então engajados, nas atividades mineradoras. Outra deslocou-se para o alto Paranatinga; e foi envolvida por colonizadores dedicados à pecuária, agricultura e atividades a elas subsidiárias, nas primeiras décadas do século XIX. A terceira, que era a maior parte, tomou o rumo do alto Xingu, perdendo o contato com as outras duas. Os Bakairi das duas primeiras parcelas passaram a ser conhecidos como "mansos" ou "independentes". Posteriormente Karl von den Steinen viria denominá-los de "ocidentais", reservando o qualificativo de "orientais" aos do alto Xingu.

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A partir de 1847, os Bakairi do Arinos, também ditos de Santana, passam a freqüentar, com os do alto Paranatinga, a Diretoria Geral de Índios, em Cuiabá, à busca de brindes. Posteriormente, engajaram-se nas atividades extrativistas da borracha, sobretudo os de Santana, indo comercializá-la nessa capital. Os Bakairi de Santana acabaram por trabalhar, compulsoriamente, na extração da borracha, inclusive nas suas próprias terras, para os seringalistas que as ocuparam. Proibidos de falar a sua língua, entre outras violências contra eles praticadas, parcelas desses Bakairi migraram para o Paranatinga, nas décadas de 20 e 60. Mas daí foram expulsos por funcionários do órgão tutor, que alegavam, tal como os seringalistas, que eles roubavam gado. A criação do Posto Indígena Santana, em 1965, não alterou esse quadro. O S.I.L., a partir dessa época, aí se fez presente, intermitentemente, assim como missionários jesuítas. Anos depois os próprios Bakairi expulsaram os invasores de Santana. Somente em 1975 nela foi implantada uma escola.

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Os Bakairi do Paranatinga foram guias, construtores de canoas e intérpretes nas expedições de Steinen - realizadas em 1884 e 1887 - e nas outras que as sucederam. Através delas se restabeleceram as relações entre os Bakairi Orientais e os Ocidentais, na terminologia de Steinen. Antes os Bakairi do alto Xingu e demais povos que aí viviam eram desconhecidos dos brancos.

Em 1920 foi criado o Posto Indígena e foi demarcada a Terra Indígena Bakairi, deixando fora dos seus limites o grupo de Antoninho, famoso guia de Steinen. Tinha-se por objetivo atrair para aí todos os indígenas alto-xinguanos, e conquistar assim terras e mão-de-obra para a colonização. Mas apenas os Bakairi se deslocaram definitivamente para o Paranatinga e três anos depois não se registra mais a sua presença no alto Xingu. Reduzidos por uma depopulação crítica, os transferidos se reorganizaram em vários grupos, às margens do Paranatinga, e foram submetidos ao trabalho compulsório pelos agentes do órgão tutor. Os demais indígenas do alto Xingu visitavam o Posto em busca de "brindes".

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Nesse período de perdas territoriais e depopulação, começaram a atuar entre eles missionários da South American Indian Mission, que só se retiraram na década de 60 por pressão dos Bakairi. Implanta-se também, em 1922, a escola. Vinte anos depois os diversos grupos locais foram aglutinados em um só "aldeamento", ao lado do Posto, pois a mobilidade e a dispersão, essenciais ao seu universo de sociabilidade, foram consideradas um estorvo à educação e aos serviços de saúde. Aqueles que não se submetiam à ordem imposta eram transferidos para outras terras indígenas, sobretudo as dos inimigos. Alguns participaram, compulsoriamente, da "pacificação" de um grupo Xavante, no alto Batovi. Uma parcela desses Xavante migrou para a TI Bakairi, mas em 1974, com uma população de 180 pessoas, que sobrepujava a Bakairi, retirou-se para o rio Culuene.
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década de 80 é marcada por Projetos de Desenvolvimento Comunitário financiados com recursos do Banco Mundial, que introduziram nas duas áreas caminhões e lavoura mecanizada, dentre outras coisas. Na Terra Indígena Bakairi, registra-se, nesse período, a reconquista de uma área de terras que lhe fora subtraída por ocasião de uma segunda demarcação. O acesso desigual aos bens introduzidos resultou na fragmentação do "aldeamento" existente e na constituição dos grupos locais atuais.

01:: foto: Roquette Pinto, 1914

02:: foto: Museu Nacional, 1929

03:: foto: Museu Nacional, 1929

04:: foto: Museu do Índio, 1922

05:: foto: Heinz Foerthmann - Museu do Índio, 1943

Edir Pina de Barros
Universidade Federal de Mato Grosso
edirpina@terra.com.br
junho de 1999
 
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