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Antes de 1884 os Bakairi mereceram, por
parte de bandeirantes, exploradores do norte de Mato
Grosso e administradores da então província,
apenas rápidas referências. Somente a partir
das expedições de Karl von den Steinen
ao Xingu, em 1884 e 1887, é que adensam-se as
informações sobre eles. Destacam-se na
sua obra dois livros: O Brasil Central: Expedição
de 1884 para a exploração do Xingu
(1942) e Entre os Aborígenes do Brasil Central
(1940), já clássicas na etnologia sul-americana.
Eles contêm preciosas informações
sobre os Bakairi Orientais e Ocidentais, sua
história, língua, organização
social, mitologia, rituais e relações
com outros povos indígenas. A estas expedições
seguiram-se várias outras, destacando-se as de
Max Schmidt, que registrou, dentre outras coisas, importantes
dados sobre as migrações dos Bakairi
do Xingu para o Paranatinga e as relações
que estabeleciam com os regionais, inclusive com os
agentes do órgão tutor. Kalervo Oberg
e Fernando Altenfelder Silva, que estiveram entre eles
em meados do século XX, publicaram artigos sobre
organização social e reclusão ritual,
respectivamente.
Existem sobre eles cinco estudos monográficos
de cunho acadêmico. O primeiro, de Edir Pina de
Barros (1977), reúne informações
sobre sua história e organização
social, suas relações com missionários,
agentes do órgão tutor e proprietários
rurais da região. À luz desses dados,
analisa a questão da identidade e da etnicidade.
Essa mesma pesquisadora, em sua tese de doutoramento
(1992), apresenta densas informações sobre
sua história, cosmologia, organização
social, nominação, rituais e xamanismo.
Vários artigos seus foram publicados em revistas
especializadas. Outra referência é a tese
de Debra Sue Picchi (1982), que focaliza o impacto da
agricultura mecanizada sobre o sistema tradicional de
subsistência, status nutricional e saúde.
Para tanto, fatores históricos, culturais e,
sobretudo, ecológicos, foram considerados. Darlene
Yaminalo Taukane, membro dessa etnia, escreveu, em sua
dissertação de mestrado recentemente publicada,
sobre a educação escolar entre os Bakairi
do Paranatinga, incluindo as reflexões dos professores
indígenas sobre a educação escolar
e o lugar da escola em seu projeto de futuro, além
de um importante capítulo sobre o processo de
socialização na sua sociedade, já
publicado sob a forma de artigo. Com relação
à língua, tem-se a tese de doutorado de
Tânia Conceição Clemente de Souza,
sobre discurso e oralidade entre os Bakairi do
Paranatinga. Neste aspecto, tem-se o clássico
estudo de Capistrano de Abreu realizado a partir de
um informante trazido do Paranatinga para o Rio de Janeiro,
no último decênio do século XIX.
Tem-se, também, os estudos feitos por missionários
do Summer Institute os Linguistics, desde a década
de 60. Destacam-se aí as traduções
de textos bíblicos e cartilhas para alfabetização
na língua materna. Sob os seus auspícios
os Bakairi vêm produzindo textos em sua
própria língua, alguns deles publicados.
Os professores Bakairi estão produzindo
textos, no âmbito de sua formação
para o magistério.
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