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Na vida cotidiana Bakairi pode-se observar vários
rituais que não obedecem propriamente a um calendário,
mas as contingências da vida, estando associados
sobretudo ao casamento, à doença, à
primeira menstruação e à morte, implicando
estes últimos em reclusão alimentar e social.
Além destes, tem-se um complexo de ritos sagrados
e pancomunitários, denominados kado, cuja
execução se concentra no tempo da seca.
Dentre eles tem-se o Anji Itabienly, o "Batizado
do Milho", que marca o início do ano Bakairi
e do ciclo da ekuru. Ele é realizado por
ocasião da primeira colheita desse cereal, ainda
verde, em janeiro ou fevereiro. Em meados de abril, quando
se encerra a estação das águas, realizam
grandes ritos nos quais são se utilizam máscaras
rituais - o Kápa e o Iakuigâde
- mas nunca simultaneamente. Esses rituais podem atravessar
anos, sendo suspensos no tempo das chuvas,
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permanecendo as máscaras rituais no kadoêti.
Destes dois é o Iakuigâde que possui
um nível de elaboração mais sofisticado.
São 23 máscaras rituais, cada qual representando
o espírito tutor de uma espécie de peixe,
de animais aquáticos e de aves ribeirinhas. Por
fim tem-se, de tempos em tempos, o sadyry, rito
de "furação de orelhas" dos adolescentes
do sexo masculino. Tais ritos pancomunitários
possuem elementos em comum, como as pinturas corporais
femininas e masculinas, feitas com jenipapo e urucum,
as caçadas e pescarias coletivas, as comensalidades
coletivas. Cada um desses ritos é presidido pelo
líder do grupo local que o promove e pelo xamã,
no plano espiritual.
Os ritos do kado constituem um tributo
aos mortos, que controlam os ciclos naturais, dentre
eles o das estações do ano e o da ekuru,
substância vital.
Além desses rituais, os Bakairi
fazem, anualmente, festas juninas pancomunitárias,
igualmente importantes para a sua coesão social.
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