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A sociedade e a cultura baniwa permaneceram pouco
conhecidas pelos pesquisadores até a virada do
século XX, quando o etnólogo alemão
Theodor Koch-Grünberg passou vários meses
no Içana e no Aiari e deixou os primeiros registros
etnográficos confiáveis até então.
Antes disso, vários viajantes científicos,
como Alexandre Rodrigues Ferreira nos anos de 1780, Johann
Natterer na década de 1820, e Alfred Russell Wallace
em 1852-3, deixaram as suas poucas anotações
sobre os Baniwa, como também fizeram diversos clérigos
e militares. A documentação extensa sobre
os movimentos messiânicos da segunda metade do século
XIX (encontrada no Arquivo Histórico Nacional no
Rio de Janeiro, e no Instituto Histórico e Geográphico
Brasileiro em Manaus), deixada por oficiais do governo,
militares e padres é extremamente útil para
a história e, até certo ponto, pode ser
aproveitada por seu conteúdo etnográfico.
Por outro lado, o valor dessa documentação
é limitado pelos interesses de seus autores em
controlar "distúrbios" nas fronteiras.
Além disso, várias comissões oficiais,
tais como a Primeira Comissão Demarcadora dos Limites,
deixaram informações valiosas acerca da
população (Auquivo em Belém). A etnografia
informativa e sensível escrita pelo prefeito da
vila venezuelana de Maroa, Martín Matos Arvelo
(1912) se refere a uma outra etnia de nome Baniwa, distinta
da tratada neste verbete.
Foi o trabalho pioneiro de Koch-Grünberg
que iniciou a etnografia Baniwa. Desde então,
em intervalos de quase 25 anos, etnógrafos têm
trabalhado no Içana e em seus afluentes, produzindo
os registros essenciais para o conhecimento da história
recente dos Baniwa: Curt Nimuendajú em 1927,
Eduardo Galvão em 1954, Adélia de Oliveira
em 1971, Berta Ribeiro em 1977. Robin Wright tem se
dedicado ao estudo dos Baniwa desde 1976, produzindo
artigos e um livro sobre a religião, história,
mitologia, guerra, xamanismo, movimentos proféticos
e a conversão ao evangelismo.
A produção de Jonathan Hill sobre
os Wakuenai da Venezuela inclui artigos sobre o intercâmbio
social, a organização social, a religião,
o intercâmbio cerimonial e um livro sobre os especialistas
cantadores. Do lado colombiano, a tese de doutorado,
publicada em 1994, e um artigo de Nicolas Journet oferecem
análises da organização política,
social e econômica, da guerra, e do intercâmbio
cerimonial.
Finalmente temos um livro dos próprios
indígenas, A Sabedoria dos Nossos Antepassados,
que contém as histórias gravadas, pelo
antropólogo Robin Wright, o qual trabalhou em
1976-77 entre os Hohodene e Walipere dakenai, duas fratrias
baniwa que moram no rio Aiari. Nesta, o antropólogo
fez a primeira versão baseada nas suas gravações;
depois a discutiu detalhadamente com os narradores,
esclarecendo pontos escuros, e elaborou a segunda versão,
a qual foi revisada por diversas pessoas até
chegar à versão final. Em 1996, a Associação
das Comunidades Indígenas do Rio Aiari (Acira)
aprovou a produção do volume.
Além de elencar fontes de informações
sobre a área cultural do Noroeste Amazônico,
também apresentamos referências bibliográficas
específicas sobre os seguintes povos da região:
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