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NOTAS SOBRE AS FONTES
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os autores antigos, é Francisco de Paula Ribeiro, militar português cujos textos estão publicados na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que dá as informações mais ricas e seguras sobre a situação dos Canela e demais Timbira e da conquista de suas terras pelo avanço dos criadores de gado no início do século XIX.

Quanto aos estudos etnológicos, o primeiro trabalho de fôlego é The Eastern Timbira, de Curt Nimuendajú, que visitou os Canela seis vezes entre os anos 1928 e 1936.

William Crocker começou sua pesquisa etnológica com os Canela Ramkokamekrá em 1957 e tem retornado assiduamente a suas aldeias até os dias de hoje, de modo que suas visitas somam mais de 72 meses de campo. Conta como auxiliares vários Canela, que escrevem ou gravam diários. Além do primeiro volume de seu livro The Canela (Eastern Timbira), publicou vários artigos sobre diferentes aspectos da vida desse povo. Junto com sua esposa, Jean Crocker, publicou um livro mais leve, The Canela: Bonding through Kinship, Ritual, and Sex, destinado a despertar o interesse de estudantes universitários para os temas etnológicos.

O autor coletou menos material entre os Apanyekrá que entre os Ramkokamekrá. Não montou nenhuma coleção de artefatos específicos dos Apanyekrá, embora muitos itens Apanyekrá se encontrem nas coleções. Nenhuma gravação de músicas Apanyekrá foi realizada com equipamento de alta qualidade, como foi feito entre os Ramkokamekrá. Nem foram coletados diários escritos pelos índios.

A análise do movimento messiânico ocorrido entre os Canela Ramkokamekrá em 1963, realizada por Manuela Carneiro da Cunha, utiliza como fonte os textos publicados de William Crocker.

A dissertação de mestrado de Maria Elisa Ladeira, A Troca de Nomes e a Troca de Cônjuges: Uma contribuição ao estudo do parentesco Timbira, trata mais dos Apanyekrá que dos Ramkokamekrá, comparando os primeiros aos Krahô e aos Apinajé.

Jack e Jô Popies, do Instituto Lingüístico Wyeliffe Bible Translators passaram 22 anos (de1968 a 1990) entre os Canela Ramkokamekrá traduzindo o Novo Testamento para a língua nativa. Tornaram-se queridos entre a população e ensinaram dezenas de jovens a ler e escrever em Canela.

O National Museum of Natural History, da Smithsonian Institution, em Washington, DC, onde trabalhou William Crocker (agora aposentado), guarda uma vasta coleção sobre os Canela: muitas fotografias, filmes de 16 mm e em super 8mm de 1970 nunca editados. Em 1997 começou a ser feito um vídeo, lançado em 1999. O autor também deixou na instituição diários escritos e falados em canela e português, gravações de cantos (também na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos) e mitos em Canela.

Nas instituições brasileiras, há coleções de artefatos canela no Museu Goeldi (Belém), no Museu Nacional (Rio de Janeiro) e no Museu Paulista (São Paulo).

01. Canela Ramkokamekrá. Foto: René Fuerst, 1975.

William H. Crocker
Smithsonian Institution
bilcroc@aol.com
Junho de 2002
 
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