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Os relatos dos Deni indicam que seu contato intensivo com os cariú (brancos) data da década de 1940. No início
do contato, nas décadas de 40 e 50, os índios comercializavam peles de animais, como onça (cuja pele trocavam por espingarda nova
e munição), lontra, maracajá, caititu, queixada, anta, jibóia e veado. Na década de 50, alguns índios já se encontravam engajados
na extração de látex. Nas décadas de 60 e 70, passaram a extrair sorva e madeira e desde a década de 80 os Deni trabalham na extração
de óleo de copaíba e madeiras nobres.
O contato intensivo e a conseqüente depopulação foram os desdobramentos do novo ciclo de exploração da borracha, na década
de 40, graças à demanda oriunda da Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, a região do Juruá-Purus foi literalmente “invadida”
por milhares de brasileiros. Ainda na década de 80 (1985), havia várias famílias de ocupantes não-índios no rio Xeruã (31) e no
rio Cuniuá (22). Destas, em 1999, restavam apenas sete no Xeruã e uma família no rio Cuniuá.
Desde o início, as relações econômicas entre os Deni e os brancos foram marcadas pela exploração, sendo reproduzido o
sistema de aviamento até os dias atuais. Neste sistema, o comerciante (patrão) vende mercadorias a prazo em troca de produtos
extrativistas. Hoje em dia desapareceu a figura do patrão, sendo substituído pelo regatão. Comerciante que utiliza o barco como
meio de transporte, moradia e comércio ambulante, o regatão negocia com as populações que moram em rios e igarapés do interior
da Amazônia, muitas vezes sendo o único elo econômico destas pessoas com o mercado nacional.
No rio Cuniuá, o regatão foi diversas vezes apontado pelos Deni como responsável pela falta de alimentos em algumas aldeias,
pois trocava produtos como sal e açúcar por farinha, pagando um valor insignificante pela farinha e cobrando valores acrescidos
de até 400% por seus produtos, gerando uma dívida que os índios nunca poderiam pagar. No rio Xeruã os índios têm a possibilidade
de comercializar alguns produtos na cidade de Itamarati, que fica a dois dias de viagem da aldeia Itaúba.
Diversos Deni estavam trabalhando fora da terra indígena, na extração de copaíba, madeira e outros serviços. Outros teriam
ido para Manicoré, no rio Madeira. Um pequeno grupo estaria morando em Manaus.
É bastante comum a prática de crimes ambientais
na Terra Indígena Deni. Isto se deve, em grande parte,
à total ausência de fiscalização e assistência
da FUNAI. Tampouco o IBAMA é capaz de coibir tais práticas.
Todos os anos, nos meses de outubro a dezembro, dezenas
de barcos pesqueiros (regionalmente conhecidos como
peixeiros) concentram-se na confluência do rio Xeruã
com o rio Juruá. A maior parte vem de Cruzeiro do Sul
(AC), Eirunepé, Manaus e Carauari (AM). No rio Cuniuá,
o problema é parecido, dezenas de barcos peixeiros sobem
o rio com o objetivo de pescar matrinxã. A pesca de
espécies ameaçadas de extinção é outro problema que
os Deni não conseguem coibir. As espécies mais procuradas
são o peixe-boi, o pirarucu e os quelônios. Os índios
começam a se organizar de forma a impedir tais crimes.
Outro crime bastante comum é a extração ilegal de madeira da terra indígena. As espécies mais cobiçadas são: andiroba,
cedro, jacareúba, copaíba, louro, saboeiro, samaúma, dentre outras. O pau rosa foi intensamente explorado nas décadas de 80 e
90, o que praticamente ocasionou sua extinção na região. Na região do rio Xeruã, a exploração é realizada principalmente por madeireiros
vindos de Itamarati e Carauari. Nos rios Cuniuá e Tapauá os exploradores são oriundos da Foz do Tapauá; estes, porém, são meros
intermediários dos madeireiros de Manaus, para onde toda a madeira ilegal é transportada.
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