Os Deni do rio Xeruã se autodenominam "Jamamadi-Deni",
enquanto os Deni do rio Cuniuá se autodenominam "Madihá-Deni".
Tal diferenciação é resultado da influência exercida
pela missão Novas Tribos do Brasil, que atua na região
do rio Cuniuá desde 1982.*
A língua Deni pertence à família lingüística
Arawá. Poucos estudos existem sobre o Arawá, que inclui,
além da língua Deni, as seguintes línguas: Paumari,
Jamamadi, Banawa–Yafi, Jarawara, Kulina e Suruwahá,
sendo todas essas etnias habitantes da área etnográfica
do Juruá-Purus (Melatti, 1998). Segundo o lingüista
Aryon Rodrigues, as línguas da família Arawá são muito
semelhantes entre si, sendo a língua Paumari um pouco
diferenciada das demais (Rodrigues, 1986:71). Dixon
denomina Madi à língua falada pelos Jarawara, Jamamadi
e Banawa-Yafi, pois afirma que são mutuamente inteligíveis
e partilham o vocabulário em 95%. Segundo o autor, Madi
tem forte semelhança gramatical e lexical com as línguas
Deni e Kulina (Dixon, 1999: 292-306).
* Nota da Edição: A respeito dessa
observação, o missionário da MNTB,
Vladmir Cunha, enviou o seguinte comentário:
"Os Deni se auto- denominam "Madiha",
não por influência
da MNTB. Conhecendo a língua, pode se perceber
facilmente que é esse o
nome que eles dão para si próprios. O
termo "Jamamadi" era atribuído no
passado aos Deni, mas nunca foi bem aceito pelo povo
por sua semelhança fonética com "zama
madi" = pessoa selvagem (de comportamento típico
de um animal), assim como o termo "índio"
é rejeitado por ser semelhante a "izu"
= excremento. Consultei os Deni do rio Xeruã
sobre a origem dessa informação e eles
me disseram que eles nunca gostaram de ser chamados
por uma palavra usada
para xingamento. Já o termo "Deni",
usado oficialmente pela maioria das ONGs
e por OGs, é apenas um sufixo pluralizador de
alguns subtantivos da língua e
tem sido bem aceito pelo povo. Atualmente quando um
Deni quer se referir a
eles próprios usando o termo Deni (para eles
uma palavra portuguesa) no
plural eles falam "Denideni" = os Deni."
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