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As atividades de subsistência dos
Galibi-Marwono variam de acordo com as estações
do ano: seca e chuvosa, a primeira entre julho e novembro
e a segunda entre dezembro e junho. De acordo com a época
do ano, ou com as necessidades mais imediatas, as atividades
têm lugar no alto curso do rio (nas florestas percorridas
para a caça e para a retirada de madeira, ou nas
águas piscosas da região) ou no médio
e baixo curso (espaço "aberto" das savanas,
utilizado principalmente para o plantio, nos tesos em
meio às terras alagáveis), bem como para
a pesca.
Os trabalhos coletivos nas roças
obedecem ao sistema de "convidados", os maiuhi,
ou mutirões tradicionais, mas cada família
vende a sua produção individualmente no
comércio de Oiapoque ou às vezes Saint
Georges (na margem francesa do rio Oiapoque), onde o
preço é melhor mas onde a venda, por lei,
deve ser diretamente ao consumidor, sem intermediários,
o que é complicado para os índios. Sendo
assim eles vendem os seus produtos, ou no mercado ou
por encomenda.
Obedecendo a normas de preservação
ambiental, foi estabelecido em assembléia, na
década de 80, que o peixe e a carne de caça
não seriam vendidos fora da Area Indígena.
A pesca está também sujeita a períodos
de restrições para proteger a desova,
especialmente do pirarucu, e a caça ao jacaré
é proibida. As armas para a pesca continuam a
ser as tradicionais, o arco e a flecha, o arpão,
a ponta e a zagaia que os homens fabricam com ferro
velho batido e trabalhado no fogo. Se há restrições
para a pesca e caça, não há nenhum
plano para a preservação da avifauna.
Os índios comem todas as espécies e já
sentem a falta de algumas delas, supostamente devido
a um alto consumo deste tipo de alimento.
Há vários pequenos comércios
em Kumarumã, alguns também funcionando
como padarias. O costume hoje é tomar de manhã
café com tapioca ou pão. Outros alimentos
industrializados são também mais consumidos
que antigamente, mas de um modo geral o cardápio
cotidiano é peixe, farinha e tucupi.
Desde a década de 30 os Galibi-Marworno
produzem excedentes para a comercialização,
sendo o principal produto a farinha da mandioca. Muitas
vezes, a farinha serve como "moeda" de troca
para a aquisição de outros produtos alimentícios,
na aldeia. Não podem, por acordo interno dos
Povos Indígenas do Oiapoque, vender madeira para
fora, mas todos têm o direito de serrar tábuas
para a construção de suas casas, canoas,
pontes e também de edificações
públicas como a escola, enfermaria e casa de
festas. São exímios construtores de canoas,
que vendem, geralmente por encomenda, em Saint Georges
mas também em Oiapoque e no Cassiporé.
A fabricação das canoas,
assim como a derrubada das árvores, é
feita coletivamente através do sistema de "convidado",
nos períodos livres de tarefas agrícolas.
A madeira é retirada na região das cabeceiras
do Uaçá e está ficando cada vez
mais difícil o acesso à madeira adequada
e o próprio transporte. Por enquanto, os índios
não possuem nenhum projeto ou plano de manejo
sustentável da madeira. Vendem também
artesanato em quantidade insignificante: colares de
sementes ou miçangas, dentes de macaco e osso
de veado, cuias gravadas, arcos e flechas, formando
um kit ornamental. As pontas destas flechas são
muito trabalhadas, dizem os índios que são
dos Banahé, um antigo povo indígena da
região. Vendem este artesanato especialmente
em Saint Georges aos gendarmes e aos legionários,
grandes consumidores destes objetos.
O transporte das mercadorias faz-se
com barcos da comunidade ou de propriedade de alguns
índios. Cobra-se uma tarifa por pessoa e carga.
Geralmente o barco da comunidade faz a linha a cada
15 dias passando pelo oceano, contornando a Ponta do
Mosquito e entrando pelo Oiapoque. É uma viagem
longa sem contar com a espera por causa da pororoca
no estuário do rio Uaçá.
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