Atualmente
a população Galibi-Marworno tem como língua
materna uma variação do crioulo falado
na Guiana Francesa. Esse idioma é utilizado como
língua franca dos povos indígenas do Baixo
Oiapoque, que reconhecem diferenças fonéticas
entre aquele falado pelos Karipuna e o falado pelos
Galibi-Marworno. Esse crioulo "indígena"
distingue-se do crioulo "negro" da Guiana
Francesa em aspectos fonéticos e lexicais que
ainda não foram suficientemente estudados. O
crioulo passou a prevalecer entre os Galibi-Marworno
em detrimento de várias línguas faladas
pelos seus antepassados. Nimuendaju, que esteve no Rio
Uaçá em 1925, ali registrou mais de cem
palavras na língua galibi, uma dúzia na
língua aruã e apenas dois vocábulos
em Maraon.
O crioulo francês se manteve
com língua materna apesar dos esforços
do SPI em coibir sua utilização, por aproximar
essa população dos hábitos franceses,
fato desfavorável ao Estado numa área
de fronteiras que foi definitivamente anexada ao território
brasileiro somente em 1900. A escola implantada no Uaçá
em 1934 proibia a utilização do crioulo
pelos alunos, fato que era punido com o uso da palmatória.
O estudo dessa variação
do crioulo francês começou a ser realizado
a década de 80, entre os Karipuna e Galibi-Marworno,
por Francisca Picanço Montejo, linguista do CIMI,
que contou com a assessoria dos linguistas Ruth Montserrat
(UFRJ) e Márcio Silva (então na UNICAMP).
Foi produzida uma grafia do crioulo Karipuna e Galibi-Marworno
e sistematizada sua gramática. De acordo com
essa grafia, o idioma é designado por "kheuol".
A língua vem sendo estudada por outros pesquisadores
entre os Karipuna.
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