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Galibi-Marworno é uma auto-designação
bastante recente, que se cristalizou principalmente na
última década. Ela veio substituir em alguns
contextos o termo "Galibi do Uaçá"
ou, simplesmente, "do Uaçá", "Uaçauara"
ou "mun Uaçá" ("gente do
Uaçá", em patois). Os que assim se
auto-denominam constituem um povo oriundo de populações
etnicamente diversas: Aruã, Maraon, Karipuna (falantes
da língua geral derivada da tupi), "Galibi"
(falantes da língua geral derivada da galibi) e
até não-índios.
O primeiro termo componente da auto-denominação,
Galibi, decorre da aplicação desse nome,
por parte da Comissão de Inspeção
de Fronteiras e do Serviço de Proteção
aos Índios, a toda a população
do rio Uaçá. Entretanto, os Galibi-Marworno
não se identificam e nem reconhecem parentesco
com a população Galibi da costa da Güiana
(que atualmente se designa Kaliña) e que tem
um pequeno número de famílias habitando
as vizinhanças do rio Uaçá: um
grupo que migrou da Güiana Francesa na década
de 1950 e se fixou na margem brasileira do curso inferior
rio Oiapoque.
Por sua vez, o segundo termo componente
da auto-denominação, Marworno, está
relacionado à atuação de agências
de assistência e reflete um movimento mais recente
das últimas três décadas. Fazendo
referência a uma das etnias ascendentes da atual
população, os termos Maruane ou Maraunu
começaram a ser utilizados pelos vizinhos Palikur
e Karipuna na tentativa de marcar alteridade em relação
às famílias Galibi-Kaliña.
No movimento das assembléias
políticas e da criação da Associação
dos Povos Indígenas do Oiapoque (APIO), essa
diferenciação ficou mais cristalizada
no termo composto Galibi-Marworno. É, ainda,
uma auto-designação utilizada em contextos
específicos, quando a intenção
é demarcar fronteiras étnicas em situações
onde definições de identidade tão
categóricas fazem sentido: nas listas populacionais
da Funai, nas assembléias políticas, nas
eleições políticas regionais etc.
Porém, em contextos mais localizados e cotidianos,
onde as fronteiras identitárias não são
tão precisas, os termos "do Uaçá"
ou "Uaçauara" continuam sendo usados.
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