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NOTA SOBRE AS FONTES   
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NOTA SOBRE AS FONTES

As primeiras fontes sobre os habitantes do rio Uaçá remontam ao século XVII. Conforme as informações compiladas pelo Barão do Rio Branco, em sua obra diplomática "Questões de Limites" (Paranhos 1945, VI: 101), os ingleses Keymis, Tatoon e Harcourt percorreram os rio Watz (Uaçá) e Arcooa/Arracow (Urukauá) e publicaram relatos em 1608 e 1613, onde mencionam a presença de índios Charibes, Morrowinnes, Wiapocoories e Yaos naquela região.

Sobre o século XVIII, várias informações sobre os habitantes da bacia do rio Uaçá podem ser encontradas no estudo de Hurault (1972) e Coudreau (1893). As informações abordam principalmente as migrações de diversas etnias, notadamente a migração Aruã, e a atuação dos jesuítas e suas intenções de estabelecer missões na região do Uaçá. A esse respeito, as cartas do Pe.Fauque e do Pe.Lombard são fontes primárias, organizadas nas "Lettres edifiantes et curieuses (1700-83)". Estudos sobre os documentos da época encontram-se nos artigos de Lombard (1928) e Froidevaux (1901)

No século XIX, percorreram a região os pesquisadores Léprieur e Coudreau e suas obras são duas das raras fontes sobre os habitantes da bacia do Uaçá nesse período.

No século XX, multiplicam-se as fontes sobre os índios do Uaçá, dentre relatórios governamentais, pesquisas antropológicas e linguísticas. Como relatórios de órgãos e comissões governamentais, há os relatórios da Comissão de Inspecção de Fronteiras do Ministério da Guerra, que percorre a região em 1927 comandada pelo General Rondon e o relatório de Luís Thomaz Reis, quem também percorre a região como Inspetor de Fronteiras em 1936. J.Malcher utiliza os dados acumulados durante a atuação do SPI, obtidos por ele e também pelo Inspetor dos Índios Eurico Fernandes e organiza um verbete sobre os Galibi publicado na coletânea "Índios do Brasil: das caeceiras do Rio Xingu, dos Rios Araguaya e Oiapoque" editada por Rondon. A partir da década de 70, Frederico de Oliveira passa a atuar entre os Galibi do Uaçá como chefe de posto da FUNAI, reunindo um rico acervo documental sobre os índios da região e as atividades do órgão indigenista. Este acervo foi organizado e recuperado recentemente e está sendo usado como fonte de estudos para os pesquisadores da região.

Como trabalhos de cunho antropológico, Nimuendajú escreveu sobre os "índios do Uaçá" em sua obra sobre "os Palikur e seus vizinhos". Os textos antropológicos que se seguiram sobre os Galibi-Marworno, tematizaram principalmente a atuação de agências governamentais. É o caso do artigo de Arnaud (1969) intitulado "os índios da região do Uaçá e a proteção oficial brasileira" e da tese de mestrado de Assis (1980) sobre a educação escolar entre os índios do Uaçá. Arnaud e Assis escreveram também artigos sobre xamanismo e questões ambientais, respectivamente, em que tratam da população Galibi-Marworno em conjunto com os outros povos do Oiapoque.

A partir da década de 90, a autora deste verbete inicia pesquisas com os povos indígenas da região. Com sua orientação, Edson Martins Jr. coletou dados entre os Galibi-Marworno, produzindo relatórios científicos e um mapa das residências da aldeia de Kumarumã. Antonella Tassinari escreveu uma tese de doutorado sobre os Karipuna, na qual apresenta vários dados históricos e etnográficos sobre os Galibi-Marworno. Os biólogos Luís Fábio Silveira e Renato Gaban, juntamente com Lux Vidal, escreveram relatório interdisciplinar sobre a avifauna na região do Uaçá. A autora deste verbete produziu vários artigos sobre cosmologia, arte, mito e história, na forma de relatórios científicos ainda não publicados. As pesquisas de campo entre os Povos Indígenas do Oiapoque, realizadas por Lux Vidal e seus orientandos, contaram com o apoio da FAPESP para os Projetos Temáticos: "Antropologia, História e Educação" - Mari/USP (Processo 94/3492-9) e "Sociedades Indígenas e suas Fronteiras na Região Sudeste das Guianas" - NHII/USP (Processo 95/0602-0).

Foram publicados por integrantes do CIMI alguns trabalhos de cunho linguístico, sobre o idioma kheuol, e voltados para a educação bilíngue. É o caso do artigo de Spires (1989) que aborda as experiências da educação bilíngue entre os Karipuna e Galibi e o dicionário Kheuol-Português/Português-Kheuol, organizado por Picanço.

 
Lux Vidal
Universidade de São Paulo
Fax: (011) 256.9573
janeiro de 2000
 
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