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Os Galibi do Oiapoque provêm das aldeias
do rio Mana, na Guiana Francesa, Couachi e Grand Village.
Seu chefe, o Sr. Geraldo Lod, nasceu na Pointe Isère.
Em 1948, o Sr. Lod e um primo seu conseguiram chegar a
Belém, onde o administrador do SPI (Serviço
de Proteção aos Índios), o Sr. Eurico
Fernandes, entregou-lhes a autorização e
os documentos legais para que migrassem para o Brasil
com a sua parentela.
A justificativa para migrar não
foi a guerra, nem a fome, nem a pressão dos brancos,
mas sim um grave e oculto desentendimento entre parentes
afins. Ao chegarem ao Brasil, em três canoas a
vela, o grupo se compunha de 38 pessoas. Posteriormente,
algumas famílias voltaram a Mana. Hoje, com a
saída sistemática dos mais jovens, a tendência
é de um decréscimo populacional a não
ser que indivíduos ou famílias não-Galibi
venham a se instalar na aldeia. Após o falecimento
dos mais velhos, o grupo manteve poucos contatos com
os Galibi da Guiana Francesa. Entretanto, gostam de
receber notícias de lá, especialmente
de parentes e amigos, muitas vezes transmitidas por
um programa de rádio em Caiena.
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A aldeia São José dos Galibi
é também a sede do Posto Indígena
Galibi. Geraldo Lod mantém uma atitude de autonomia,
mas de bom relacionamento com a Funai. Ele escolhe e avalia
os funcionários da aldeia que hoje são apenas
o chefe de posto e o professor, casado com uma índia
galibi. O Sr. Lod, seus filhos e outros habitantes da
aldeia participam regularmente de todas as Assembléias
dos Povos Indígenas do Uaçá e de
movimentos coletivos reivindicatórios, enquanto
representantes de sua etnia e membros plenos de um conjunto
de povos que compartilham o mesmo território, os
mesmos problemas e anseios. É nessas ocasiões
que cada povo se posiciona.
Procura-se um consenso e estabelece-se
um programa político, econômico e social
que venha a beneficiar a todos. Participam também,
com os Karipuna, Galibi-Marworno e Palikur, de movimentos
políticos e reivindicatórios importantes
para eles.
Se todos, na aldeia têm um bom grau de instrução,
o Sr. Lod se destaca pela capacidade e curiosidade intelectual
e o rigor do raciocínio. Seus conhecimentos da
fauna e flora da região das Guianas são
surpreendentes. Estudou até o Certificat d'Études,
o que corresponde ao nosso primeiro grau completo e
foi durante dez anos enfermeiro formado no hospital
penitenciário de Saint Laurent, atuando em aldeias
indígenas de Mana.
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Seu filho mais jovem foi presidente da
APIO (Associação dos Povos Indígenas
do Oiapoque). Os dois filhos mais velhos são militares,
com uma carreira bem sucedida na marinha e na aeronáutica.
As quatro filhas viveram durante vários anos com
famílias de oficiais de Clevelândia, se deslocando
com elas para Belém, Brasília e São
Paulo, estudando e trabalhando, antes de voltar ao Oiapoque.
Hoje, vivem em Oiapoque, onde trabalham como funcionárias
do estado, e passam fins-de-semana e férias na
aldeia.
Atualmente, diferente das épocas
passadas, os Galibi mantêm pouco contato com os
militares de Clevelândia ou com as pessoas de
Saint Georges ou Tampac.
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