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RITOS DE PASSAGEM   
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RITOS DE PASSAGEM

Tradicionalmente, além do casamento, os ritos de passagem mais importantes eram, para as moças, o resguardo após a primeira menstruação, quando eram informadas sobre o perigo inerente ao sangue menstrual que pode indevidamente atrair, pelo cheiro, os espíritos monstruosos aquáticos. Nestes períodos as mulheres não podem ir ao rio, à roça, cozinhar e nem preparar caxixi.

Os rapazes passavam por um rigoroso aprendizado e período de reclusão quando pretendiam tornar-se xamãs. Finalmente, os ritos de fim de luto eram a ocasião de reunir muita gente de diferentes grupos locais, e assim ao mesmo tempo em que despachavam o espírito do morto, liberando-o para subir ao céu, os Galibi reconstituíam o seu mundo social e simbólico e de renovação cósmica.

Hoje, os ritos de passagem são outros, mas as crenças antigas têm o seu sentido e os seus valores preservados. Isso cria ambivalência positiva e etnicidade. As crianças passam pelo batismo e se preparam devidamente para a primeira comunhão. O Sr. Geraldo Lod se orgulha de que seu casamento nos anos 40, em Mana, tenha sido o primeiro a ser celebrado ao mesmo tempo no civil e no religioso, segundo a fé católica. "Eu abri o caminho", disse ele. Os jovens, atualmente, precisam ainda vencer as etapas escolares, prestar, às vezes, concursos públicos e se preparar para a vida do trabalho, que consiste em atividades de subsistência tradicionais, acrescidas de tarefas que permitam ganhar algum dinheiro, e em um preparo político que assegure, a cada indivíduo e seu grupo, autonomia e integração em redes de sociabilidade cada vez mais abrangentes.

Lux Vidal
Universidade de São Paulo
Fax: (011) 256.9573
Janeiro de 2000
 
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