Três aspectos da vida guarani expressam uma identidade
que dá especificidade, forma e cria um "modo de ser
guarani": a) o ava ñe'ë (ava: homem,
pessoa guarani; ñe'ë: palavra que se confunde com
"alma") ou fala, linguagem, que define identidade
na comunicação verbal; b) o tamõi (avô) ou ancestrais
míticos comuns e c) o ava reko (teko: "ser,
estado de vida, condição, estar, costume, lei, hábito")
ou comportamento em sociedade, sustentado em arsenal mítico
e ideológico. Estes aspectos informam ao ava (Homem
Guarani) como entender as situações vividas e o mundo que
o cerca, fornecendo pautas e referências para sua conduta
social (Susnik, 1980:12).
Há, contudo, entre os subgrupos Guarani-Ñandeva,
Guarani-Kaiowa e Guarani-Mbya existentes no Brasil, diferenças
nas formas lingüísticas, costumes, práticas rituais, organização
política e social, orientação religiosa, assim como formas
específicas de interpretar a realidade vivida e de interagir
segundo as situações em sua história e em sua atualidade.
Esta seção privilegia informações sobre os grupos Ñandeva
e Kaiowa. Há uma seção específica dedicada ao Mbya.