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ALDEIA E PRAÇA CERIMONIAL   
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ALDEIA E PRAÇA CERIMONIAL

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Como dito em item anterior, a atual aldeia ikpeng localiza-se no Médio Xingu, abaixo da aldeia Terra Preta, dos Trumai. O modelo da aldeia ikpeng tem como centro cerimonial a “lua” ou praça ritual, constituída como uma elipse com dois fogos. Nela há ainda uma cabana coberta com um teto de duas águas e sem parede, o mungnie, que não é uma casa de homens, como no modelo alto-xinguano, pois as mulheres
geralmente têm acesso ao local. Trata-se simultaneamente de um atelier de artesanato – melhor iluminado do que a escuríssima casa de habitação –, uma sala de ensaio para os preparativos cerimoniais, um local onde amigos podem beber e comer fora do grupo doméstico e, por fim, o “arsenal” onde alguns confeccionam, sob um estrito tabu, ao fabrico do toucado otxilat, que representa a principal indumentária do guerreiro.

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Em geral, os grandes rituais ikpeng se passam nessa praça central e marcam as passagens da vida, a maior parte das vezes envolvendo todos da aldeia. Na fase final do ciclo de iniciação (que culmina com a tatuagem feita no rosto de meninos de oito a dez anos), por exemplo, os caçadores regressam das várias semanas passadas na floresta carregados de peças de caça moqueada, a qual é trazida em um imenso cesto, com o auxílio de uma faixa frontal e de
redes suplementares, que é depositada na praça para sua distribuição.

Os circuitos cerimoniais são sempre elípticos, uma vez que os itinerários da dança rodam entorno de dois pontos, dos quais um é o centro da casa e o outro o centro do mungnie. Mesmo quando a aldeia é constituída de várias casas e o mungnie fica no centro (como acontece na aldeia atual), cada casa compõe com ele um circuito de dança elíptico.


01:: Casa em construção na aldeia ikpeng. Foto: Eduardo Biral, 1990.

02:: Moradia ikpeng representada por um kalapalo. Desenho: Tahugaki Kalapalo, 2001.

Patrick Menget
antropólogo, professor da L'Université Libre de Bruxelles
pmenget@yucom.be

Janeiro de 2003

 
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