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CULTURA MATERIAL   
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CULTURA MATERIAL


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As casas são iguais às da população ribeirinha: construídas sobre palafitas, assoalhadas de ripas de paxiúba e cobertas com palha de canaraí. Dentro das casas, cada família tem seu próprio lugar de dormir. As jovens solteiras dormem protegidas pelo mos­queteiro da família, enquanto os rapazes têm cada um o seu.

Antigamente as moradias eram grandes malocas em forma cônica, e eram algumas das maiores já vistas. Segundo Steere, elas tinham diâmetros de até 40 metros e alturas de até 22 metros. Eram subdivididas em até 25 compartimentos de famílias.

Ao lado das casas, constróem-se casinhas de reclusão (wawasa), em forma de maloca, para as meninas depois da primeira menstruação.

Os Jamamadi também constroem pequenos ranchos ou tapiris para as migrações sazonais ou ex­pedições de caça e coleta.

Dormem em redes fabricadas com algodão ou com casca da castanheira nova. Esta é batida, e depois la­vada e secada para tirar os fiapos, que são enrolados torcidos com a mão, apoiando-se na coxa da perna, até formarem o fio, que é enrolado num novelo de forma cilíndrica.

Dos objetos de uso doméstico, os relatos antigos mencionam os utensílios de cerâ­mica sem nenhuma ornamentação ou pintura e os tipitis.

O vestuário contemporâneo consiste de roupas adquiridas dos brancos ou costuradas com tecidos deles. Antigamente, os homens apenas usavam uma corda para fixar o pênis, às vezes escondido por alguns fios pendurados na corda, e as mulheres, tangas de algodão.

Os adornos femininos contemporâneos são: cocares feitos de penas de arara e tuca­no, coladas com breu; vários tipos de colares feitos de sementes ou dentes de macacos; braceletes feitos de conchas fluviais, ligadas por um fio de algodão.

As embarcações são canoas pequenas, cavadas em uma só peça. Antigamente, eram feitas de casca de jutaí e tinham cerca de 5 metros de comprimento e um metro de largura.

Entre as armas, os arcos têm até dois metros de comprimento e são feitos de madei­ra de palmeiras. A parte de meio é mais larga que as extremidades. A face interna é plana e a externa, convexa. O fio é de fibras de palmeiras. As flechas têm até 1,70 metro de com­primento. A haste de cerca de 1,50 metro é feita de taquara. Somente na extremidade in­ferior são enfiadas umas plumas pequenas. A ponta, com um comprimento de 15 a 18 centí­metros, é feita de paxiúba. Às vezes, é afilada em forma triangular, com dentes de cotia ou paca, e provida de entalhes pouco profundos. Em toda a extensão, a ponta é revestida de uma camada de veneno. Por causa dos entalhes, a ponta quebra na ferida da caça atin­gida. Antigamente, os Jamamadi também usavam zarabatanas.

01:: Dois exemplos de artesanato Jamamadi na aldeia Pauzinho (TI Jarawara Jamamadi Kanamanti)
Foto: Peter Schröder, PPTAL/ 2000.

Peter Schröder
pschroder@uol.com.br
Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação em Antropologia
março de 2002
 
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