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ATIVIDADES ECONOMICAS   
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ATIVIDADES ECONOMICAS

O ciclo anual está marcado pelos regimes pluviais, com precipitações mais altas de novembro a fevereiro, e pelos níveis de água, que geralmente são os mais altos em março e abril e os mais baixos de julho a outubro.

Os Jamamadi são principalmente agricultores e caçadores da terra firme. As duas plantas mais cultivadas são a mandioca e a macaxeira, de que conhecem pelo menos 17 e 8 variedades, respectivamente. Antigamente, a importância da macaxeira era maior do que hoje em dia, de tal modo que se fazia beiju de macaxeira. Atualmente, a farinha de mandioca é a base alimentar. Uma comida apreciada é "pão de farinha" (yawa), uma massa de mandioca, guardada em cestos forrados com folhas de bananeira e depois cozida na panela.

É interessante observar que os Jamamadi não praticam a capina e investem, em vez disso, no manejo das capoeiras que se formam, quer pelo plantio de fruteiras, quer pela caça intensa a animais de pequeno e médio porte. Como as roças são tomadas totalmente por plantas invasoras depois de um ano, os Jamamadi têm que abrir novas áreas anualmente, mas isto não significa a perda da importância agrícola das áreas com mais de um ano de sucessão, porque os tubérculos costumam ser retirados por até três anos.

No entorno das aldeias pode ser observado um mosaico de matas ciliares, roças e capoeiras em diversos estágios de sucessão, que fornecem aos Jamamadi uma série de plantas cultivadas e silvestres, bem como animais de caça. Esta assume uma posição importante. Em algumas aldeias, salta aos olhos o grande número de animais silvestres criados em cativeiro. Há duas modalidades de caça: (1) a "caça de perto", associada às capoeiras e ao ambiente circunvizinho das aldeias, e (2) a "caça de longe", associada aos assentamentos sazonais de extração de copaíba.

A pesca é apenas uma atividade complementar para os Jamamadi. Eles pescam com arco e flecha, linhas e anzóis ou arpões, mas também usam um piscicida que eles chamam kona e que é conhecido na região pelo nome tingui. Este veneno ictiocida é extraído da raiz da planta correspondente por batê-la até amolecer. Normalmente é usado na estação seca, sobretudo por ocasião de festas e reuniões. Antigamente, os Jamamadi usavam mais fisgas e armadilhas.

Os Jamamadi coletam frutos silvestres e mel de abelha e preparam diversas bebidas não alcoólicas das frutas do açaí, da bacaba e da pupunha.

Os produtos principalmente comercializados são extrativistas e agrícolas, além de um pouco de artesanato. Dentre os produtos extrativistas regionais, atualmente os Jamamadi comercializam principalmente o óleo da copaíba, coletado a partir de assentamentos sazonais chamados centros.

Para a ida aos centros formam-se grupos de cinco a dez homens. Cada homem possui seu pique. O conjunto de piques define a área de exploração de cada centro, onde o tempo de permanência é determinado pelo tempo necessário para o enchimento dos galões com óleo, o que pode variar de 15 a 25 dias.

Nos centros não há roças ou fruteiras. Por isso, os homens normalmente levam farinha de mandioca produzida nas aldeias e caçam nesses locais. Entretanto, nas aldeias, durante a ausência dos homens, as mulheres não só confeccionam redes e cestas, mas também pescam ou, ocasionalmente, caçam animais de pequeno e médio porte.

A extração do óleo de copaíba é um trabalho árduo, demorado e cansativo, e a contrapartida não é compensadora, pois as formas de troca praticadas pelos regatões fluviais para adquirir o óleo são escandalosas. Estes comerciantes geralmente trocam esses produtos por mercadorias, já que poucos Jamamadi têm idéias concretas sobre o valor do dinheiro. Desse modo, alguns regatões conseguem ter margens de lucro de até 3.000% ou mais, segundo nossos cálculos.

A prática de derrubar os troncos para extrair o óleo já reduziu consideravelmente a quantidade de árvores em diversas partes das Terras Indígenas. É por esta razão que os Jamamadi da região do médio Purus atualmente não extraem mais a sorva, outro produto florestal, já que se tornou muito difícil achar suas árvores na terra firme.

De todo modo, embora a densidade demográfica das terras dos Jamamadi seja muito baixa (de 0,03 a 0,1 habitante/km², dependendo da terra), eles aproveitam efetivamente seu espaço, em razão do sistema de centros com seus raios de piques, sendo que os centros têm uma distribuição espacial bastante ampla.

Peter Schröder
pschroder@uol.com.br
Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação em Antropologia
março de 2002
 
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