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RELIGIÃO, MITOLOGIA E RITUAIS   
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RELIGIÃO, MITOLOGIA E RITUAIS

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Quase não há relatos sobre a religião étnica e a mitologia. Rangel, no entanto, dedicou uma parte de sua tese a teorias sobre o xamanismo Jamamadi, interpretando-o como responsável pela fissão das comunidades. Nossos conhecimentos sobre rituais e festas Jamamadi também são muito fragmentários. Uma das festas mais importantes parece ser a iniciação feminina, isto é, uma série de rituais
que marcam a transição das meninas para o status de adultas.

O que pode ser observado com facilidade, no entanto, é o apreço ao rapé (sina) na vida cotidiana. Ele é feito de folhas verdes de tabaco, que são tostadas, secadas e socadas dentro de um ouriço de castanha-do-pará. Acrescenta-se ao pó uma porção de cinza de cacau. O rapé é consumido em diversas ocasiões.

Os Jamamadi praticam o "ritual do chinã" (trata-se do aportuguesamento do termo indígena sina, que significa rapé), no qual toda a família participa. O dono da casa coloca uma porção de sina numa folha verde e a segura na palma da mão, então ela é passada de um para o outro, sendo usado um osso da perna do gavião para a inalação. O orifício do osso é alisado com cera para facilitar adaptá-lo à narina. Depois se limpa o interior do osso com uma pena.

01:: Casinha de reclusão Jamamadi na aldeia São Francisco (TI Jarawara Jamamadi Kanamanti)
foto: Peter Schröder, 2000/ PPTAL

Peter Schröder
pschroder@uol.com.br
Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação em Antropologia
março de 2002
 
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