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O
ciclo anual está marcado pelo regime pluvial, com chuvas mais
intensas de novembro a fevereiro, e pelos níveis de água, que
geralmente são mais altos em março e abril e mais baixos de
julho a outubro.
Os Jarawara são basicamente agricultores da terra
firme que complementam sua dieta com caça e pesca. Nas roças,
eles plantam principalmente mandioca, macaxeira, batata-doce,
ariá, cará, taioba, milho, bananas, abacaxi, jerimum, melancia,
caju e pupunha, mas também cana-de-açúcar, tabaco e um cipó
chamado kona, de que produzem um veneno ictiocida, o tingui. Eles
plantam pelo menos 17 variedades de mandioca e 5 variedades de
macaxeira. Nos quintais, chamados yamabarikani ("perto da casa"),
os Jarawara cultivam mais de 30 espécies de fruteiras, palmeiras,
legumes, verduras, condimentos, temperos e plantas medicinais.
Os Jarawara não só caçam na terra firme, mas também
nas terras ilhadas, que são terras inseridas na planície de
inundação do Purus e que normalmente não alagam durante as cheias,
concentrando uma série de espécies sazonalmente abatidas.
Para a pesca são aproveitados diversos ambientes
durante o ano inteiro. Há indícios de que os peixes representam um
elemento freqüente na dieta Jarawara. Entre as diversas técnicas,
merece ser mencionada a pesca com veneno vegetal (kona). O kona
parece ser a mesma espécie cultivada entre os Jamamadi e Zuruahá.
Os Jarawara comercializam principalmente produtos
extrativistas, como látex, castanha-do-pará, óleo de copaíba e
sorva, enquanto produtos agrícolas e artesanato ocupam posições
secundárias nas trocas comerciais. Esse povo tornou-se dependente
de várias mercadorias industrializadas, mas está numa posição muito
desvantajosa para adquiri-las e pouco familiarizados com o valor
do dinheiro. Por isso, os regionais conseguem tirar grandes
vantagens das trocas comerciais com estes indígenas.
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