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Aos fundos
da aldeia Ju´i, os Jiahui possuem uma roça
com mandioca, macaxeira, mamão, banana, entre
outros produtos. Ao redor da aldeia saem caminhos
de caça, pesca e coleta que remontam a períodos
muito anteriores à própria construção
da atual aldeia. A caça, a pesca e a agricultura,
em geral, são voltadas para o sustento do
grupo. Já a coleta possui a perspectiva de
inserção do grupo |
no mercado regional.
A castanha é o produto central pelo
qual os Jiahui voltam-se boa parte do ano. Recentemente,
no movimento de retomada do território tradicional,
reiniciaram a coleta no castanhal Tañoapina
e começaram a retirar também outros produtos
com aceitação no mercado regional, como
o açaí. Este é muito produzido
e consumido nas terras Jiahui.
Os trajetos para a caça obedecem aos
caminhos das outras atividades. Assim, quando um indivíduo
sai para caçar, segue as trilhas que levam ao
castanhal ou ao açaí, por exemplo. Entretanto,
há trilhas alternativas chamadas de caminhos
de caça. Através destas conexões,
grandes extensões do território são
percorridas em busca de animais como o taiaho
(queixada), a paca e a cutia. A Transamazônica
também é utilizada como caminho de caça
e eventualmente os homens saem a pé ou de bicicleta
em busca de cotias, que são encontradas com freqüência.
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Atividade
estritamente masculina, a caça é uma
das principais fontes de proteína da comunidade.
Embora nem sempre seja possível, o objetivo
de um caçador é sempre abater um animal
de grande porte. Entretanto, o caçador não
evita abater um outro animal pequeno ou pássaros
que por ventura venham a cruzar-lhe o caminho. Esta
última ação é a que
ocorre em casos de caça ocasional. |
A caça pode ser realizada com arma de
fogo, com arco e flecha, ou ainda por meio de armadilhas
instaladas na mata. Pode ser realizada individualmente
como em grupo de dois ou três caçadores.
Em qualquer caso, uma caçada bem sucedida é
sempre compartilhada com toda a comunidade. O excedente
é moqueado ou salgado.
Embora não seja tão central como
a caça, a pesca também possui sua importância,
sendo praticada como uma atividade que complementa a
dieta alimentar da comunidade indígena. Diferentemente
da caça, pode ser realizada por crianças
e mulheres nos cursos dágua localizados
nas proximidades da aldeia.
As espécies apreciadas são o
tucunaré, surubim, tambaqui, jatuarana, matrinchã
e piau. As técnicas e instrumentos são
a linhada, o espinhel, a flecha, a zagaia, o jykiywa
(juqui) e o timbó. A linhada é uma atividade
comum em que se utiliza a linha de nylon e o
anzol para a captura dos peixes em lagos e poços,
onde a água não é corrente. O espinhel
consiste em colocar vários anzóis em uma
linha e fixar as extremidades entre pequenos galhos
de árvores próximas da água. Como
o espinhel fica fixo, permite ao indivíduo que
o colocou realizar outras atividades. A flecha e a zagaia
são técnicas bastante difundidas na região
amazônica e exigem muita destreza do indivíduo
que manipula estes instrumentos. Há ainda outros
mecanismos de uso tradicional kagwahiva, como a confecção
de um peixe de madeira, que é amarrado nas proximidades
da água para atrair peixes. Após o primeiro
peixe fisgado (com flecha ou zagaia), este substitui
o peixe de madeira e a pescaria continua. Uma outra
técnica consiste em confeccionar uma pequena
circunferência que, presa a um graveto será
utilizada para bater na água e imitar o barulho
de frutas caindo. O barulho atrairá os peixes
que serão fisgados. Já o jykiywa
(juqui) serve para captura de peixes grandes e pequenos.
Consiste em um instrumento feito com talo de inajá
mais ou menos no formato de um cesto. Colocado na correnteza
os peixes acabam entrando em busca de alimento sem conseguir
sair mais.
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Atividade
muito apreciada pelos Jiahui e Kagwahiva em geral,
o timbó é mais utilizado durante o
verão, quando é possível encontrar
pequenos poços de água que resultam
dos igarapés que baixam suas águas.
O timbó é um cipó venenoso
que, quando batido e triturado, solta uma substância
tóxica na água paralisando os peixes.
A concepção nativa demonstra que uma
guerra é travada |
entre o timbó e os peixes. Alguns peixes vencem
a batalha, não morrendo sob o efeito do veneno.
É o caso do acará e do jeju. Para que haja
sucesso é preciso antes conversar com o cipó,
pedindo a ele que mate os peixes.
No caso da coleta, depende do esforço
envolvido na atividade, ela pode ser masculina ou feminina,
ou ainda, em alguns casos, uma atividade que engloba
todos os membros dos grupos familiares, ou seja, homens,
mulheres e crianças. Como produto de consumo,
a castanha é utilizada em seu estado natural,
misturada a pratos típicos como beiju e tapioca
ou como tempero de carnes. Como produto de mercado,
a castanha possui um preço que oscila de acordo
com a safra.
Passam o dia quebrando castanha e retornam
ou ficam por lá, alojados em pequenos tapiris
nas proximidades do castanhal. A produção
diária nunca é superior a duas latas de
castanha para cada grupo familiar. Para suprir as necessidades
durante a safra de castanha, os Jiahui fazem uma provisão
de mantimentos nas semanas que antecedem a época
da coleta. Pode ocorrer também de comprometerem
a safra antecipadamente a algum comprador, recebendo
dele produtos manufaturados como óleo, sal, arroz
e café, entre outros, configurando o chamado
rancho. Nestes casos, o grupo insere-se
no sistema econômico característico da
Amazônia, chamado de aviamento.
Já a coleta de açaí é
uma atividade masculina e exige uma certa habilidade
no uso da peconha, uma argola de cipó que é
presa aos pés do homem que o ajuda a subir pelo
tronco do açaizeiro. Os frutos são coletados
em grandes cachos e trazidos para a aldeia em cestos
conhecidos como paneiros. Para a fabricação
do vinho é preciso deixar o fruto de molho na
água morna. Depois disso, os frutos são
socados com um pilão para soltar a polpa da semente
e, por fim, o líquido é peneirado e consumido
preferencialmente misturado à farinha de mandioca.
Um outro produto importante na vida dos Jiahui
é o babaçu, cujos frutos podem ser consumidos
in natura ou sob a forma de farinha ou goma.
As folhas de babaçu podem ser utilizadas para
a cobertura de casas. Os Jiahui também apreciam
o puremu, a lagarta que nasce no interior do
coco de babaçu, que é consumida frita.
O óleo eliminado é utilizado para passar
no cabelo. Segundo os Jiahui este produto é muito
eficaz para evitar cabelos brancos.
Nas proximidades da aldeia encontram-se os
roçados. Em geral, a roça é aberta
pelos homens no período da seca (entre julho
e agosto) para que possa ser queimada e plantada no
início do período que antecede as primeiras
chuvas. A derrubada da mata e a queima são atividades
exclusivamente masculinas, enquanto o plantio, a capina
e a colheita envolvem a participação de
homens, mulheres e crianças.
O principal produto cultivado pelos Jiahui
é a mandioca, utilizada para a produção
de farinha. A farinha de mandioca ocupa posição
central na dieta alimentar, sendo consumida o ano todo.
Plantam também banana, macaxeira, melancia, milho
mole, feijão e abóbora. Em casos excepcionais,
os Jiahui comercializam seu excedente agrícola,
mas em geral a produção é consumida
na comunidade ou trocada com os parentes vizinhos (Parintintin
e Tenharim).
O comércio dá-se através
dos produtos coletados, principalmente castanha e açaí,
que são levados ao município de Humaitá.
Há também produção de artesanato,
realizada principalmente pelas mulheres. Muitos colares,
anéis, pulseiras e cocares são comercializados
em Humaitá e Porto Velho. O artesanato possui
também um forte caráter identitário,
na medida em que os cocares são largamente utilizados
pelos homens em situações políticas
como forma de ostentar a força da cultura indígena.
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