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Os Kagwahiva
são referidos pela primeira vez em 1750,
na região do curso superior do Rio Juruena,
ao lado dos Apiaká. Logo depois, esta área
foi vasculhada pela frente mineradora que, desde
Cuiabá, avançava para o Norte à
procura de novas minas de ouro, o que pode ter provocado
o início do processo migratório kagwahiva
(Menéndez, 1989:38). |
Os Jiahui são parte de um conjunto de
povos que ocuparam a região do curso médio
do Rio Madeira, ao sul do Estado do Amazonas, vindos
de uma migração do Alto Tapajós,
acossados pelos seus inimigos tradicionais, os Munduruku,
em período posterior a 1750.
Na década de 1970, foram expulsos de
seu território tradicional e o grupo praticamente
se dissolveu devido a conflitos com grupos indígenas
vizinhos, assim como a implantação de
fazendas e a extração ilegal de madeira.
Os poucos remanescentes jiahui aliaram-se aos Tenharim
e foram viver em uma aldeia deste povo nas proximidades
da Transamazônica. Casaram-se e tiveram filhos,
mas nunca foram totalmente absorvidos pelos Tenharim.
Em razão de pressões internas
na aldeia, os Jiahui transferiram-se para o limite leste
da terra Tenharim e de lá iniciaram incursões
no território tradicional, agora ocupado por
fazendas tituladas pelo Incra (Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária).
Estas incursões, que inicialmente eram para a
coleta de castanha, passaram a ser mais freqüentes,
para caça e coleta, até que, em 1999,
resolveram reassumir seu território tradicional,
transferindo-se para dentro das fazendas, construindo
uma aldeia e abrindo roças.
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Como forma de registrar o direito sobre
a terra, a aldeia construída recebeu o
nome de Juí, como era chamada uma
antiga aldeia localizada na mesma direção,
apenas mais ao sul, no interior do território
ocupado. A atual dista cerca de 100 metros da
rodovia Transamazônica, estando também
próxima da margem esquerda do igarapé
Amazônia
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(afluente do Rio Marmelos). A opção por
fazer a aldeia na beira da Transamazônica deve-se
ao fato de que por ela são escoados os produtos
para venda e é também por onde se adquire
bens, cuida-se de doentes, dentre outros fatores relevantes
para as populações indígenas da região.
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Já declarada e em fase de demarcação,
a Terra Indígena Jiahui pertence ao município
de Humaitá (AM) e teve sua superfície
definida com aproximadamente 47.600 hectares e
perímetro de 150.000 metros. A TI fará
limite com as terras Tenharim e Pirahã,
com a Floresta Nacional Humaitá e com pequenos
produtores. Desta forma, haverá menor possibilidade
de invasão das terras.
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Há, contudo, conflitos decorrentes das
propriedades concedidas pelo Incra no interior do território
tradicional jiahui. Os lotes eram pequenas propriedades
que giravam em torno de 100 hectares. Com o passar do
tempo, muitas terras foram abandonadas e vendidas para
vizinhos e, assim, alguns poucos passaram a ter extensas
propriedades.
O maior conflito se dá com o fazendeiro
Eduardo Esteves Duarte, uma vez que, além da
terra propriamente dita, disputa com os índios
a exploração de um castanhal, definido
pelos Jiahui como Tañoapina. Na temporada
de produção de castanha, eram freqüentes
e conflituosos os encontros com empregados de Duarte,
que também iam em busca do produto. Porém,
embora tenha havido a ocupação das terras
com títulos expedidos pelo Incra, o local sempre
foi indígena.
Além dos proprietários não
índios, há uma outra questão que
envolve a Terra Indígena Jiahui: parte dela incide
sobre a Floresta Nacional de Humaitá. Em 22 de
março de 1988, o então Presidente da República
José Sarney publicou decreto (n. 95.859) definindo
as glebas Boa Esperança e Pupunhas para uso do
Exército, com 468.790 ha., criando a Gleba Militar
de Humaitá. Em 19 de março de 1997, Fernando
Henrique Cardoso revogou alguns incisos desse decreto.
Em 02 de fevereiro de 1998, o mesmo Presidente assinou
outro decreto (n. 2.485) criando a Floresta Nacional
de Humaitá com a mesma superfície da Gleba
Militar. Esta área atualmente está sob
jurisdição do Ibama e é uma Unidade
de Conservação para exploração
com manejo de uso múltiplo dos recursos renováveis.
Portanto, a própria União acabou sobrepondo
limites ao definir a Gleba Militar e posteriormente
a Floresta Nacional Humaitá em partes dos limites
da Terra Indígena.
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