O contato dos Kaingang com a sociedade envolvente
teve início no final do século XVIII e efetivou-se em meados
do século XIX, quando os primeiros chefes políticos tradicionais
(Põ’í ou Rekakê) aceitaram aliar-se aos
conquistadores brancos (Fóg), transformando-se em
capitães. Esses capitães foram fundamentais na pacificação
de dezenas de grupos arredios que foram vencidos entre 1840
e 1930. Entre os desdobramentos dessa história, destacam-se
o processo de expropriação e acirramento de conflitos, não
apenas com os invasores de seus territórios, mas intragrupos
kaingang, uma vez que o faccionalismo característico dos
grupos jê foi potencializado pelo contato. Os Kaingang vivem
em mais de 30 Terras Indígenas que representam uma pequena
parcela de seus territórios tradicionais. Por estarem distribuídas
em quatro estados, a situação das comunidades apresenta
as mais variadas condições. Em todos os casos, contudo,
sua estrutura social e princípios cosmológicos continuam
vigorando, sempre atualizados pelas diferentes conjunturas
pelas quais vêm passando.
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Kimiye Tommasino antropóloga, pesquisadora
do Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-história
da UEM/Maringá/PR)
kimiye13@gmail.com
Ricardo Cid Fernandes (antropólogo, docente
do Depto. de Antropologia da UFPR/Curitiba/PR) riccid@cfh.ufsc.br
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