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Algumas
semelhanças entre mitos kalapalo e ye´cuana
sugerem que os ancestrais dos Karib xinguanos deixaram
a região das Guianas em tempos recentes,
certamente depois de contatos com espanhóis,
intensificados na região durante a segunda
metade do século XVIII. No entanto, parece
haver, do ponto de vista cultural, pouco em comum
entre os Kalapalo e os povos karib setentrionais,
sendo difícil |
distinguir qualquer característica propriamente
"Karib" nos aspectos de seu modo de vida e visão
de mundo.
Permanece incerto quando o grupo conhecido como
Kalapalo foi contatado por estranhos pela primeira vez.
Indivíduos identificados à aldeia que
portava este nome foram medidos pelo antropólogo
alemão Hermann Meyer durante um estudo antropométrico
dos povos do Alto Xingu, realizado no final do século
XIX. Em 1920, o Major Ramiro Noronha, da Comissão
Rondon, realizou pesquisas na região do Rio Kuluene
e fez a primeira visita registrada às aldeias
dos Kalapalo, Kuikuro e Anagafïtï (Naravute,
na literatura). Os últimos, particularmente,
sofreriam as conseqüências dessa visita,
que suscitou a primeira de uma série de epidemias
que destruiu a integridade de sua comunidade.
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O nome
Kalapalo, inicialmente atribuído ao grupo
por não-índios, tem como referência
uma aldeia com esse nome abandonada provavelmente
há menos de cem anos. Naquele tempo, pessoas
mudaram de Kalapalo para um sítio vizinho
chamado Kwapïgï, que, por sua vez, foi
sucedido pela aldeia Kanugijafïtï, abandonada
em 1961. Todos esses sítios estão
localizados a cerca de meio dia de caminhada na
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direção leste do Kuluene, ao sul da confluência
com o Rio Tanguro. Os últimos remanescentes de
um grupo Karib importante, chamado Anagafïtï,
juntaram-se aos habitantes de Kanugijafïtï depois
da epidemia de gripe na década de 1940 e, naquele
momento, havia Kuikuro, Mehinako, Kamayurá e Waujá
vivendo entre os Kalapalo.
O que chamamos hoje de "Kalapalo"
é, então, uma comunidade composta de uma
gente cujos ancestrais foram associados a diferentes
comunidades, com uma maioria oriunda ou descendente
de pessoas que viveram em Kanugijafïtï.
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