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A organização
social kalapalo é extremamente flexível,
com uma variação considerável
na identificação de indivíduos
a grupos específicos. Os Kalapalo costumam
ter algumas opções para conformar
grupos, porém suas escolhas são mais
dependentes das relações pessoais
entre indivíduos do que do pertencimento
a um clã, filiação religiosa
ou direitos e obrigações para com
os ancestrais. O seu sistema |
de terminologia de relações parece acomodar
essa flexibilidade e fornecer um meio para nomear precisamente
a relação entre indivíduos em um
sentido ao mesmo tempo social e emocional.
Tanto a aldeia como a casa servem de parâmetro
para a realização de atividades econômicas
e cerimoniais. Assim, os habitantes de cada aldeia limpam
a terra para as roças de mandioca, colhem a cana-de-açúcar,
coletam frutas silvestres e outros vegetais, além
de explorar recursos dos lagos e riachos da região.
Integrantes de outras etnias não exploram o território,
a menos que estejam vivendo ali temporariamente e tenham
sido explicitamente convidados para tanto.
Do mesmo modo, integrantes de um grupo doméstico
devem distribuir a comida entre si. Embora todo adulto
seja responsável pelo suprimento contínuo
de comida, um Kalapalo tem garantia da partilha mesmo
quando não pode contribuir. No entanto, a obrigação
de compartilhar não inclui os membros das outras
casas, sendo considerado falta de polidez explorar a
boa vontade de pessoas de outros grupos. Apesar dessa
forma corporativa de organização, o pertencimento
a aldeias e casas muda de tempos em tempos e há
um movimento ocasional de algumas pessoas de um grupo
para outro.
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