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Os Kalapalo classificam seus rituais públicos em dois tipos gerais: egitsu e undufe. O termo egitsu se refere a eventos que envolvem a participação de convidados de outras aldeias alto-xinguanas. Estão incluídos nessa categoria o Egitsu propriamente dito, que celebra a figura de líderes hereditários (aneta~u) mortos; o Ipoñe, ou ritual masculino de perfuração dos lábios; o Yamurikumalu das mulheres e os Kagutu dos homens; o Katugakugu, que designa um objeto feito com seiva da mangabeira e envolve o jogo de bola; Tawkaga, que é composto com instrumentos do mesmo nome; finalmente, o Ifagaka, cerimônia do jogo de dardos. Todos esses eventos envolvem a execução repetida de música na comunidade anfitriã durante um longo período, anterior à performance na qual participam os visitantes. Além disso, devido ao fato de os Egitsu envolverem competição atlética entre convidados e anfitriões, por alguns meses antes da chegada dos convidados os anfitriões devem aprimorar suas habilidades (e os convidados devem fazer o mesmo em suas próprios aldeias). Em linhas gerais, lutar parece ser um modo de diminuir temporalmente, e de modo simbólico, a distância social entre pessoas de aldeias diferentes.
Entre os rituais chamados undufe, estão as performances que incluem apenas os membros de uma aldeia particular. Esses rituais incluem os kana undufegi, "undufe dos peixes"; os Eke undefegï, undufe das cobras; Fugey oto, ou "ritual do mestre dos arcos"; Agë, o ritual da mandioca realizado no momento da colheita, quando as Plêiades tornam-se visíveis; Afugagï; e outros que envolvem a manufatura e o uso de máscaras associadas aos itseke, "donos" da música: Kafugukuegï (ritual do macaco bugio); Afasa (ritual canibal da floresta); Zhakwikatu, Kwambï e Piju (seres aquáticos poderosos); e Atugua (undufe do redemoinho). |