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Definir quem são os Katukina, orientando-se exclusivamente
pela denominação do grupo, não é uma tarefa fácil. Desde
a primeira metade do século passado, os registros históricos
produzidos por missionários, viajantes e agentes governamentais
sobre as populações indígenas do rio Juruá fazem referência
a grupos indígenas conhecidos pelo nome de Katukina. Entretanto,
"Katukina" (ou Catuquina, Katokina, Katukena
e Katukino) é um termo genérico que chegou a ser atribuído
a cinco grupos lingüisticamente distintos e geograficamente
próximos, conforme o antropólogo Paul Rivet (1920). Atualmente
esse número se reduz a três: um da família lingüística
Katukina, na região do rio Jutaí, no estado do Amazonas,
e dois da família lingüística Pano, no estado do Acre.
Nenhum dos dois grupos pano conhecidos pelo
nome de "Katukina" o reconhece como auto-denominação.
Os membros de um deles, localizado às margens do rio
Envira, próximo à cidade de Feijó, preferem ser reconhecidos
como Shanenawa, sua auto-denominação. Os do outro
não reconhecem no nome "Katukina" qualquer
significado na sua língua, mas o adotam, dizendo que
a denominação, na verdade, foi "dada pelo governo".
Este verbete trata apenas do último dos referidos
grupos. O nome "Katukina" tornou-se aceito
pelos membros de suas duas aldeias, do rio Campinas
e do rio Gregório, que não possuem uma denominação étnica
comum. As únicas auto-denominações existentes e amplamente
aceitas referem-se aos seis clãs nos quais se dividem:
Varinawa (povo do Sol), Kamanawa (povo da Onça), Satanawa
(povo da Lontra), Waninawa (povo da Pupunha), Nainawa
(povo do Céu) e Numanawa (povo da Juriti). É digno de
nota que, com exceção de Nainawa, tais denominações
são idênticas aos nomes de algumas das seções do povo
Marúbo.
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