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Os Katukina usam dois tipos de nome: em sua
própria língua e em português. A atribuição de um nome
do segundo tipo não segue nenhum padrão preestabelecido
e qualquer pessoa pode sugerir um nome em português
para uma criança recém-nascida, que será bem recebido
principalmente se for inédito na aldeia. Ao primeiro
nome acrescentam, respectivamente, os sobrenomes da
mãe e do pai.
Se na escolha dos nomes em português um dos
principais critérios é o ineditismo, ocorre o contrário
quando se trata dos nomes em katukina: os nomes se repetem,
uma vez que provêm todos de um acervo comum que os katukina
se esforçam em preservar. Em termos práticos, isso quer
dizer que os pais escolhem para seus filhos os nomes
de seus próprios parentes.
Os pais são quem nomeia seus filhos, do sexo
masculino e feminino, algumas vezes consultando antes
pessoas mais velhas. A atribuição de um nome pessoal
é algo simples e nenhuma cerimônia ou ritual é realizado:
uma vez escolhido, basta os pais começarem a usá-lo.
O nome recebido na infância é definitivo.
A prática onomástica katukina é bastante variada
e só não é permitido atribuir o próprio nome ao filho
ou o nome de um filho morto. Dentre as alternativas
existentes, a mais comum é os pais atribuírem a seus
filhos o nome de seus próprios pais, isto é, se é uma
menina os pais escolhem o nome da avó materna ou paterna,
se é um menino escolhem o nome do avô paterno ou materno.
A transmissão dos nomes através de gerações alternadas
explicita o vínculo afetivo entre avós paternos e netos,
que é bastante forte entre os katukina. Um outra alternativa,
menos praticada, são os nomes dos tios maternos e paternos
da criança. Deve-se observar, entretanto, que, nesse
caso, os tios ou tias, sejam eles quais forem, já devem
ter morrido e a escolha do nome é uma forma de colocá-lo
novamente em circulação, permitindo assim que se preserve
o acervo de nomes pessoais. Nesse caso, a reposição
do nome assume um certo sentido de "homenagem",
de demonstração de afeição ou estima pela pessoa que
portava anteriormente o nome.
Embora os nomes sejam todos indeterminadamente repostos,
não há qualquer idéia de reencarnação ou de que uma
pessoa deva substituir a outra. A identidade entre homônimos
encerra-se com o nome.
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