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VIDA SOCIAL   
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VIDA SOCIAL

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A composição mais comum das aldeias katukina é do grupo doméstico formado por um casal mais velho, rodeado de seus filhos e filhas solteiras, filhos casados e netos. Observa-se, portanto que, após o casamento, as mulheres vão morar próximo às famílias de seus maridos. Tal orientação inverte a regra de residência que vigorava no passado, pois, como os próprios katukina admitem, eram os rapazes que, antes, se deslocavam para as proximidades das famílias de suas esposas. Unidos por laços de parentesco e casamento, os moradores de um mesmo grupo doméstico cooperam entre si no desempenho das atividades cotidianas.

Na aldeia do rio Campinas, os grupos domésticos são compostos de duas a sete casas que se distribuem ao longo da beira da estrada a uma distância variável de cinco a quinze minutos de caminhada um do outro. Já na aldeia do rio Gregório, quase todos os grupos domésticos estão distribuídos na margem direita desse rio, próximos da pista de pouso e das instalações da MNTB.

A regra de casamento entre os Katukina determina que um homem deve casar com uma mulher que ele chama de pano, uma categoria que inclui a filha do irmão da mãe e a filha da irmã do pai. Por sua vez, uma mulher deve casar-se com seu txai, uma categoria que inclui o filho do irmão da mãe e o filho da irmã do pai. É comum que, em caso de separação ou viuvez, um homem se case com a irmã de sua ex-esposa. A poliginia é admitida e, normalmente, as esposas de um mesmo homem são irmãs.

Os Katukina têm um repertório vasto de mitos que falam das punições daqueles que mantiveram ou desejaram ter relações incestuosas. A Lua é a cabeça de Oshe, um rapaz que foi flagrado tentando ter relações sexuais com sua irmã e que, para escapar da morte, se refugiou no céu. Vésper é também a cabeça de um rapaz incestuoso, cunhado de Oshe, que teve o mesmo destino. Qualquer jovem katukina conhece essas histórias, que lhes foram contadas inúmeras vezes durante a infância por seus avós.

01:: Um agrupamento residencial, TI do rio Campinas
foto: Edilene Coffaci de Lima, 1998

Edilene Coffaci de Lima
Universidade Federal do Paraná
edilene@humanas.ufpr.br
Janeiro de 1999
 
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