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A composição mais comum das aldeias katukina é
do grupo doméstico formado por um casal mais velho, rodeado
de seus filhos e filhas solteiras, filhos casados e netos.
Observa-se, portanto que, após o casamento, as mulheres
vão morar próximo às famílias de seus maridos. Tal orientação
inverte a regra de residência que vigorava no passado,
pois, como os próprios katukina admitem, eram os rapazes
que, antes, se deslocavam para as proximidades das famílias
de suas esposas. Unidos por laços de parentesco e casamento,
os moradores de um mesmo grupo doméstico cooperam entre
si no desempenho das atividades cotidianas.
Na aldeia do rio Campinas, os grupos domésticos
são compostos de duas a sete casas que se distribuem
ao longo da beira da estrada a uma distância variável
de cinco a quinze minutos de caminhada um do outro.
Já na aldeia do rio Gregório, quase todos os grupos
domésticos estão distribuídos na margem direita desse
rio, próximos da pista de pouso e das instalações da
MNTB.
A regra de casamento entre os Katukina determina
que um homem deve casar com uma mulher que ele chama
de pano, uma categoria que inclui a filha do
irmão da mãe e a filha da irmã do pai. Por sua vez,
uma mulher deve casar-se com seu txai, uma categoria
que inclui o filho do irmão da mãe e o filho da irmã
do pai. É comum que, em caso de separação ou viuvez,
um homem se case com a irmã de sua ex-esposa. A poliginia
é admitida e, normalmente, as esposas de um mesmo homem
são irmãs.
Os Katukina têm um repertório vasto de mitos
que falam das punições daqueles que mantiveram ou desejaram
ter relações incestuosas. A Lua é a cabeça de Oshe,
um rapaz que foi flagrado tentando ter relações sexuais
com sua irmã e que, para escapar da morte, se refugiou
no céu. Vésper é também a cabeça de um rapaz incestuoso,
cunhado de Oshe, que teve o mesmo destino. Qualquer
jovem katukina conhece essas histórias, que lhes foram
contadas inúmeras vezes durante a infância por seus
avós.
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