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A palha é onipresente no cotidiano Krahô.
As casas, de duas águas, como as sertanejas, mas
sem janelas e com poucas ou nenhuma divisão interna,
são cobertas de folhas de palmeira, que também
preenche as paredes quando não são de barrote
(pau-a-pique). No seu interior vêem-se, dependurados,
grande número de cestos de folhas de buriti, de
confecção rápida, usados para transporte
assim como para guardar alimentos e objetos. Para miudezas
há um outro tipo de cesto, feito com fitas da casca
lustrosa do talo de buriti, de vários tamanhos,
em forma de paralelepípedo com quinas arredondadas,
fechado por uma seqüência de nós num
cordel. Há também esteiras trançadas
com fibra de buriti, com franjas que forram os estrados
de troncos de açaí bravo que servem de leito.
Para dormir no pátio central, os rapazes usam um
outro tipo de esteira, mais simples.
Comum também é o uso da cabaça,
como recipiente para água, cuia para servir ou
guardar alimentos preparados, pequenas taças
de uso ritual e na confecção de alguns
instrumentos sonoros: a cabacinha com quatro furos;
a buzina, na qual completa o gomo de taquara; no cinto
de algodão, sob a forma de sininhos sem badalos
que se chocam uns contra os outros, usado na cintura
por corredores, amarrado abaixo do joelho ou socado
contra o chão pelos cantores.
Mas o principal instrumento sonoro, o maracá,
não é feito de cabaça (planta rasteira
cujos frutos se apóiam no chão) e sim
de cuité (fruto de uma árvore). Com ele
o cantor dirige o canto das mulheres. A música
vocal é um dos aspectos mais elaborados da vida
ritual e artística dos Krahô.
Urucu, jenipapo e carvão fixado com pau-de-leite
são utilizados na pintura de corpo, conforme
os padrões relacionados à metade a que
está afiliado o usuário. Jovens iniciandos
na fase final do rito, pessoas em fim de resguardo usam
também penas, de periquito ou gavião,
conforme a metade a que pertençam, coladas ao
corpo com resina de almécega.
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O par de
toras para corrida é cuidadosamente confeccionado,
geralmente de tronco de buriti, cada vez que a disputa
começa fora da aldeia. Elas se realizam após
as caçadas, pescarias, trabalhos na roça,
quando coletivos. A corrida
de toras sempre está ligada a um
rito em andamento, de modo que o tamanho, formato
e ornamentação das toras devem estar
a ele conformes. Cada tora é carregada por
um corredor, que deve passá-la a um companheiro
da mesma metade. |
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