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No início do século XIX os Krahô
foram estimados em três ou quatro mil. Conforme
o censo do missionário Rafael de Taggia, em 1852,
tinham caído para 620, após as mortes causadas
pelas epidemias de 1849-1850. Talvez sua população
tenha chegado a seu ponto mais baixo por volta de 1930,
quando Nimuendajú os estimou em 400. Mas em 1948
Harald Schultz calculava que chegavam a 500. Julio Cezar
Melatti contou 564 em 1962-3 e pelo menos 632 em 1971,
números que incluem mestiços e índios
de outras etnias que com eles viviam. Em 1989 os Krahô
alcançavam o número de 1.198. Em 1999, os
próprios Krahô asseguraram ao pesquisador
Hélder Ferreira de Sousa estarem chegando aos número
de 2.000 indivíduos. É pois na segunda metade
do século XX que sua população volta
a crescer.
O número de aldeias também aumentou.
No início do século XX elas eram três.
Quando Nimuendajú visitou os Krahô em
1930, uma delas já se havia dividido em duas:
uma dirigida por Secundo e a outra por Bernardino. Julio
Cezar Melatti contou seis aldeias em 1962; somente uma
delas não tinha as casas dispostas em círculo:
era a do Morro do Boi, então conduzida pelos
filhos do já falecido Bernardino, com cônjuges
e vizinhos regionais. Atualmente, elas são 18
ou 20, conforme informação do já
citado Hélder Ferreira de Sousa, que não
visitou todas elas. A divergência se deve ao fato
de alguns líderes ligados à associação
Càpej (ver adiante) terem estabelecido
que um núcleo deve ter um mínimo de 70
habitantes para ser considerado aldeia, embora pelo
menos um dos núcleos que eles tomam por aldeia
não alcance esse número.
Nos dois últimos séculos os Krahô
absorveram membros de várias outras etnias. Dentre
os Timbira, incorporaram parte dos Põrekamekrá,
que eles haviam combatido, em 1814; sobreviventes Kenkateyê
da aldeia Chinela, do sul do Maranhão, destruída
por fazendeiros em 1913; alguns migrantes Apinayé,
depois de 1923; e alguns Apanyekrá, com cuja
aldeia mantêm comunicação de longa
data. Dentre os não-Timbira, alguns Xerente
que procuraram abrigo junto aos Krahô devido
a desavenças internas na primeira metade do século
XX. Além disso, há indivíduos Krahô
com ascendentes brancos ou negros.
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